Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

EUA aprovam sanções contra o maior banco da Rússia

Washington confirmou medidas horas depois de a UE endurecer suas sanções contra Moscou. Empresas de energia e defesa também foram afetadas

Por Da Redação - 12 set 2014, 15h25

Os Estados Unidos aprovaram nesta sexta-feira sanções ainda mais duras contra setores da economia russa. As medidas são retaliações contra o envolvimento militar direto do Kremlin na crise da Ucrânia. De acordo com as novas regulamentações, os cidadãos americanos estão proibidos de tomar empréstimos do banco Sberbank, a maior organização financeira de Moscou, por um período que ultrapasse 30 dias. Washington também vetou o fornecimento de qualquer suporte tecnológico para cinco empresas russas de exploração de recursos naturais: Gazprom, Lukoil, Rosneft, Surgutneftegaz e Transneft. A petrolífera Rosneft já havia sido sancionada pelos Estados Unidos em uma lista divulgada anteriormente.

Leia também:

Obama está cético quanto ao cessar-fogo na Ucrânia

Voo MH17 foi derrubado por ‘objetos externos’, diz relatório

Publicidade

As medidas foram anunciadas pelo governo americano horas depois de a União Europeia também ampliar o seu leque de sanções. O bloco europeu barrou a exportação de tecnologia petrolífera e de extração de recursos subaquáticos para a Rússia. Além disso, a Rosneft terá o seu acesso ao mercado financeiro restringido, o que agravará a delicada situação da empresa. Segundo a rede BBC, a petrolífera foi obrigada a tomar 42 bilhões de dólares emprestados do governo russo no último mês. Mais de 100 funcionários do Kremlin e chefes do movimento separatista do leste ucraniano foram alvos de sanções americanas e europeias, incluindo restrições a viagens e congelamento de ativos financeiros.

“Por causa da intervenção militar direta da Rússia e os seus esforços para desestabilizar a Ucrânia, nós ampliamos nossas sanções contra a Rússia, em acordo com nossos aliados europeus”, disse o secretário do Tesouro americano, Jacob Lew. “Essas etapas evidenciam o contínuo repúdio da comunidade internacional à agressão russa”, acrescentou. Mesmo com a sustentação do frágil cessar-fogo entre as forças separatistas pró-Moscou e Kiev, um levantamento feito pela Otan revelou que 1.000 soldados russos fortemente armados ainda se encontram no leste ucraniano, enquanto 20.000 tropas estão postadas na fronteira.

A Rússia nega o envio de tropas e equipamentos para os rebeldes, alegando que os soldados atuantes na região são “voluntários”. Nesta sexta-feira, contudo, o jornal The Guardian divulgou a imagem de um veículo blindado com inscrições do Exército russo sendo operado por separatistas. Para Lew, “é essencial que a Rússia trabalhe junto com a Ucrânia e outros parceiros internacionais para que o conflito seja encerrado. Se a Rússia o fizer, as novas sanções poderão ser suspensas”.

Project Syndicate: O fim da linha para Putin na Ucrânia?

Publicidade

Putin reage – Pressionado pelas dificuldades econômicas impostas pelas sanções, o presidente russo Vladimir Putin criticou o Ocidente após a nova rodada de restrições ser anunciada. “Eu não entendo o propósito dessas últimas sanções. Talvez alguém esteja infeliz com o fato de o processo estar tomando um rumo pacífico”, afirmou. Sergei Lavrov, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, declarou que Moscou deve “reagir de forma calma e apropriada, priorizando sempre a necessidade de defender os seus interesses”.

O ministro da Economia russo, Alexei Ulyukayev, também afirmou que a Rússia recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar reverter as restrições econômicas e financeiras. “A mais recente rodada de sanções nos dá razão para recorrermos à OMC. E nós vamos recorrer”, disse o ministro à agência RIA, em Bruxelas.

(Com agência Reuters)

Publicidade