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Estudo do ar em Fukushima confirma altos níveis de radiação

Dados foram coletados por helicóptero não tripulado em um raio de três quilômetros em torno da usina

Por Da Redação 24 set 2013, 09h16

A Agência Japonesa da Energia Atômica (Jaea) completou o primeiro estudo detalhado sobre a contaminação do ar nos arredores da usina nuclear de Fukushima e confirmou altos níveis de radiação. O órgão, encarregado da promoção e pesquisa da energia nuclear no país, conseguiu realizar uma medição da área mais próxima à central, em um raio de três quilômetros em volta da usina, com o uso de um helicóptero não tripulado. As informações são do jornal Asahi.

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Até agora não era possível analisar a radiação aérea neste setor devido à proximidade dos reatores danificados pelo tsunami de 11 de março 2011. Graças ao helicóptero não tripulado, que realizou as medições no final do ano passado, a Jaea detectou mais de 19 microsieverts por hora a um metro acima o solo nas áreas imediatamente ao Sul e a Oeste da usina. O microsievert é uma unidade de medida para avaliar os efeitos biológicos da radiação. O procedimento de uma radiografia toráxica, por exemplo, emite 50 microsieverts.

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Apesar de as leituras terem sido menores (entre 9,5 e 19 microsieverts por hora) na direção Noroeste, a instituição destacou que, mesmo assim, os níveis também estão relativamente altos.

Coleta – A Jaea também divulgou a radiação medida em dezembro de 2012 em 10 000 pontos diferentes dentro de uma área de 80 quilômetros ao redor da central, situada a cerca de 220 quilômetros de Tóquio.

O resultado mostra que o volume nessa área caiu 36% em relação aos dados obtidos pela primeira vez na instituição em junho de 2011, três meses depois do acidente nuclear.

A Jaea explicou que essa queda se deve principalmente devido à diminuição dos níveis de césio-134, isótopo que tem uma vida média de dois anos e que, além disso, foi “varrido” pelas sucessivas chuvas. No entanto, em 60% da área foram detectados níveis de 1 millisievert por ano (a quantidade máxima recomendada pela Comissão Internacional de Proteção Radiológica) e inclusive mais.

Em qualquer caso, o volume em casas e edifícios e em vias que atravessam zonas de floresta (onde os materiais radioativos tendem a se acumular) caíram em relação a junho de 2011 em 35% e em 44%, respectivamente, graças aos trabalhos de descontaminação.

O desastre na central de Fukushima forçou o deslocamento de 52 000 pessoas que viviam nos arredores da usina e afetou a pesca, a agricultura e a pecuária local.

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