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“Essa velha é pior que o vesgo”, diz Mujica sobre Cristina Kirchner

Presidente uruguaio não percebeu que o microfone estava ligado. "Inventem o que quiserem", disse mais tarde sobre sua declaração

Por Da Redação - 4 abr 2013, 20h11

O presidente do Uruguai, José Mujica, caiu nesta quinta-feira em uma armadilha que já pegou vários mandatários imprudentes. Sem perceber que seu microfone estava ligado, fez um comentário que ganhou repercussão contra a vontade do presidente. “Essa velha é pior que vesgo”, disse Mujica, em referência à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e a Néstor Kirchner, marido de Cristina, que morreu em 2010.

“Essa velha é pior que o vesgo … o vesgo era mais político, ela é teimosa”, disse Mujica, após fazer referências às difíceis relações de seu país com a Argentina. O áudio foi divulgado pela imprensa uruguaia pouco depois.

Ele conversava com o governador de um distrito uruguaio, depois de conceder uma entrevista coletiva. O assunto era a relação com os governos da Argentina e do Brasil. Mujica disse que para conseguir algo com o governo argentino, era preciso se inclinar um pouco para o Brasil.

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Mais tarde, o presidente uruguaio tentou negar suas declarações. “Publicamente, nunca falei da Argentina”, disse. Segundo ele, a conversa era sobre o ex-presidente Lula e o Brasil. “Eu não vou dar bola nem atravessar o mundo esclarecendo nada. Inventem o que quiserem”, esbravejou.

Resposta – O chanceler argentino, Héctor Timerman, entregou uma nota de protesto ao embaixador do Uruguai em Buenos Aires, Guillermo Pomi, transmitindo o “profundo mal-estar” com as declarações de Mujica.

No texto, o governo argentino considera “inaceitável que comentários degradantes que ofendem a memória de uma pessoa morta, que não pode responder nem se defender, tenham sido realizados, particularmente, por alguém a quem Kirchner considerava seu amigo”.

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A nota diz que Cristina Kirchner não vai comentar as “ofensas” e continua afirmando que “a histórica relação que uniu nossos países não deveriam ser afetadas por expressões que ofendem aqueles que representaram e representam a Argentina e seu povo”.

Antecedente – Mujica não foi o primeiro presidente uruguaio a se colocar em uma situação incômoda com a Argetina. Em 2002, o ex-presidente Jorge Batlle também não percebeu que estava sendo gravado por uma câmera de televisão e disse que os argentinos eram “um bando de ladrões, do primeiro ao último”. Depois do incidente, Batlle viajou a Buenos Aires para pedir desculpas ao então presidente Eduardo Duhalde. “Por que fui pedir perdão? Eu não era um cidadão, era o presidente da República e os 3 milhões de uruguaios podiam sofrer muito por um erro meu”, explicou.

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