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Envolto em escândalos, premiê turco sinaliza que pode abandonar política

Em nova gravação, Recep Erdogan discutiria com ministro da Justiça a possibilidade influenciar um juiz

Por Da Redação 5 mar 2014, 23h02

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que teve seu nome recentemente envolvido em escândalos de corrupção, afirmou nesta quarta-feira estar disposto a abandonar a política se o partido que dirige perder as eleições municipais de 30 de março. “Se meu partido não alcançar a primeira posição nas eleições municipais, estou disposto a renunciar à política”, declarou a jornalistas.

Erdogan afirmou que o índice de popularidade do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002, não foi afetado pelas denúncias que vieram à tona em dezembro. “A multidão que vem aos nossos comícios no país demonstra isso”, disse.

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Desde sua chegada ao poder, o AKP não perdeu nenhuma eleição, mas a disputa nos municípios será um teste para a legenda depois da divulgação de acusações contra dezenas de empresários e funcionários próximos ao governo em várias investigações anticorrupção abertas em dezembro.

Erdogan acusa seu ex-aliado, o clérigo muçulmano Fetulah Gülen, que vive nos Estados Unidos, de ter promovido uma conspiração para desestabilizá-lo antes das eleições municipais e das presidenciais.

Na noite de segunda-feira, veículos de comunicação turcos divulgaram uma gravação na qual Erdogan estaria tentando influenciar um juiz. Na conversa, uma voz atribuída ao premiê pede ao ministro da Justiça, Sadullah Ergin, que intervenha no julgamento de um magnata dos meios de comunicação e consiga uma condenação.

Um outro áudio havia sido divulgado no domingo apontando que o primeiro-ministro estaria tentando colocar um aliado na presidência do Fenerbahçe, uma das principais equipes do futebol turco.

A primeira gravação foi revelada na semana, passada. Ela supõe que Erdogan pediu ao filho mais velho para sumir com uma grande quantidade de dinheiro que estaria escondida em casas de parentes – a cifra de 30 milhões de euros é citada. Após a repercussão dos áudios, a oposição passou a pedir a renúncia do primeiro-ministro.

(Com agência EFE e Estadão Conteúdo)

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