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Em Viena, ministra boliviana critica asilo brasileiro a opositor de Evo

Por Da Redação - 20 jun 2012, 15h43

Viena, 20 jun (EFE).- O asilo político concedido pelo Brasil ao chefe da oposição no Senado boliviano, Roger Pinto, representa ‘um mal precedente na luta contra a corrupção’ na América do Sul, disse à Agência Efe Nardi Suxo, ministra boliviana de Transparência e Luta contra a Corrupção.

‘Para nós, não é o mais correto nem o mais apropriado que pessoas que tenham cometido atos de corrupção se refugiem em um país vizinho e o fato fique impune’, afirmou Nardi em Viena, onde concluiu nesta quarta sua participação em uma reunião de especialistas em anticorrupção realizada na sede das Nações Unidas.

Instalado na embaixada brasileira em La Paz, Roger Pinto foi o primeiro político boliviano que recebeu asilo desse país. O senador foi denunciado pelo Governo da Bolívia por supostos crimes de corrupção, mas não foi condenado.

Nardi ‘lamentou’ que o Brasil não tenha pedido informações sobre as razões da investigação do senador. No passado, Peru e Argentina também acolheram outros opositores bolivianos.

Ainda segundo a ministra, todos os países que fazem parte das Nações Unidas têm a obrigatoriedade de cumprir as convenções, e uma delas é a da luta contra a corrupção. ‘Estamos muito preocupados porque há alguns países que fazem parte da convenção, no entanto, estão concedendo asilo a pessoas que têm que prestar contas por crimes de corrupção’, destacou.

Entre 2006 e 2012, houve mais de 60 sentenças por corrupção na Bolívia, período no qual o Estado conseguiu recuperar bens por mais de US$ 100 milhões, de acordo com Nardi. A ministra também ressaltou que membros e dirigentes da formação governante Movimento ao Socialismo (MAS), entre eles três ex-ministros, também foram condenados.

Enquanto isso, Nardi afirmou que La Paz segue com a candidatura para acolher o centro regional sul-americano da Academia Internacional contra a Corrupção (IACA), situada perto de Viena.

Em julho de 2011, Yuri Fedotov, diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (UNODC), elogiou em comunicado o papel da Bolívia na luta contra a corrupção. Fedotov ressaltou que a ‘Bolívia é um exemplo de um país que está realizando esforços vigorosos para adaptar suas leis e instituições aos padrões da convenção da ONU contra a corrupção’. EFE

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