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Em gestos, o que Assad, Kim Jong-un, Ahmadinejad e outros autoritários pensam da imprensa

No Dia Mundial da Liberdade da Imprensa, ONG espalhou por Paris cartazes de quem se considera acima da lei

A organização internacional Repórteres sem Fronteiras (RSF) espalhou pelas ruas de Paris montagens de fotos de mandatários violadores da liberdade de imprensa. Nas imagens, eles aparecem fazendo gestos obscenos. Os cartazes colocados em muros e estações de metrô mostram o presidente russo, Vladimir Putin; o ditador sírio Bashar Assad; Xi Jinping, presidente da China; Mahmoud Ahmadinejad, do Irã; e o gorducho tirano norte-coreano Kim Jong-un.

A ONG os descreve como “poderosos, perigosos e violentos, predadores que se consideram acima da lei”. A campanha é realizada no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, criado pela ONU e comemorado no dia 3 de maio. O slogan da campanha é: “Sem liberdade de informação, não há contrapoder”.

Os cartazes foram confeccionados a partir de uma lista de 39 pessoas e organizações “predadoras da liberdade de informação”. Neste ano, além de Assad, a RSF também menciona um dos principais grupos opositores ao regime, aFrente Al-Nusra, classificado como grupo terrorista pelos Estados Unidos. A Irmandade Muçulmana, que levou Mohamed Mursi à presidência no Egito, também é citada. Da América Latina, foram apontados nomes como o do presidente cubano Raúl Castro, e das organizações criminais Los Zetas, do México, e Urabeños, da Colômbia.

Ranking – A organização também atualizou o ranking dos países que mais respeitam a liberdade de imprensa, composto por 179 nações. No topo, estão Finlândia, Holanda e Noruega e, nas últimas posições, Eritréia, Coreia do Norte, Turcomenistão e Síria. O Brasil ficou na 108ª posição, na frente dos vizinhos Bolívia (109ª), Venezuela (117ª) e Colômbia (129ª). A argentina de Cristina Kirchner ficou com o 54º lugar.

“O índice de liberdade de imprensa publicado pela RSF não considera diretamente o tipo de sistema político do país, mas está claro que democracia providencia maior proteção para liberdade de produção e circulação de notícias e informação do que países onde os direitos humanos são desrespeitados”, destacou o secretário-geral Christophe Deloire.

Agressões – Nesta quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou sua preocupação com as agressões contra os jornalistas no mundo todo. Só nos primeiros quatros meses de 2012, foram assassinados dezessete repórteres, sete deles na Síria, quatro no Paquistão, três no Brasil, dois na Somália e um na Turquia. Os dados são do Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ) e abrangem só os casos nos quais se confirmou o motivo do crime. Em 2012, foram assassinados 70 jornalistas no total, de acordo com a organização. A RSF divulgou números mais altos: 88 repórteres e 47 blogueiros foram mortos. “Condeno todos os ataques e a repressão. Estou especialmente preocupado porque muitos autores escapam de qualquer tipo de castigo”, afirmou Ban.

Segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), mais de 600 jornalistas foram assassinados nos últimos dez anos e apenas um crime de cada dez terminou com a condenação do culpado. No índice de impunidade, elaborado em função do número de assassinatos não resolvidos por milhão de habitantes e divulgado pela CPJ, o Iraque está no topo da lista, seguido da Somália e Filipinas. A Colômbia ocupada o quinto posto e o Brasil, o décimo.

(Com agência EFE)