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Egito chama para consultas seu embaixador em Tel Aviv e Israel reage

Por Por Mona Salem 20 ago 2011, 12h02

O Egito decidiu chamar para consultas seu embaixador em Israel para protestar contra a morte de cinco policiais na fronteira, na primeira crise diplomática entre os dois países desde a queda, em fevereiro, do regime de Hosni Mubarak.

“O Egito decidiu convocar seu embajador em Israel até a apresentação de desculpas oficiais” pelo Estado hebreu, informou neste sábado a televisão estatal.

O governo egípcio já havia solicitado a Israel “desculpas oficiais” numa reunião de crise na noite de sexta-feira, segundo comunicado publicado da agência egípcia Mena.

É a segunda vez que o Egito, primeiro país árabe a assinar a paz com Israel, em 1979, convoca para consultas seu embaixador em Israel.

Só em novembro de 2000, o Cairo chamou seu embaixador em Israel para protestar contra “o uso excessivo da força” do Estado hebreu contra palestinos, por ocasião da segunda Intifada.

Em Israel, o ministro da Defesa, Ehud Barak, disse neste sábado que Israel “lamenta” as mortes dos policiais egípcios num momento em que israelenses perseguiam militantes que assassinaram oito israelenses em Eilat, na fronteira.

Barak também propôs “examinar” as circunstâncias do incidente junto com o exército egípcio.

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Antes dessa reação, o Egito havia “denunciado declarações irresponsáveis de alguns dirigentes israelenses”, segundo a televisão local, que não apresentou mais detalles.

Na capital egípcia, centenas de pessoas passaram a noite diante da embaixada de Israel para pedir a expulsão do embaixador hebreu.

Na frente do prédio, protegido por tanques do exército e isolado pela polícia, os manifestantes gritavam “Sinai, Sinai, Abaixo Israel”.

As medidas de segurança também foram reforçadas em torno da companhia aérea israelense El Al, no aeroporto do Cairo.

O primeiro-ministro egípcio, Essam Charaf, havia dito anteriormente, em mensagem publicada em sua página oficial do Facebook que “o sangue egípcio é demasiado caro para ser derramado sem resposta”.

“Nossa gloriosa revolução aconteceu para quepudéssemos recuperar dignidade tanto no plano interno quanto externamente, e o que era aceito no Egito antes da revolução não o será mais no Egito de agora”, acrescentou.

O exército, no poder desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak em fevereiro, afirmou sexta-feira em comunicado que “avaliava os últimos acontecimentos no Sinai, na fronteira leste do Egito, e reagirá de forma adequada ao final da investigação sobre o episódio”.

A morte dos policiais egípcios aconteceu após os ataques que fizeram oito mortos, na quinta-feira, no sul de Israel, atribuídos pelo Estado hebreu a um grupo radical palestino de Gaza.

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