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Ditador norte-coreano Kim Jong-Il faz visita à Rússia

O Kremlin informou que o dirigente visitará o Extremo Oriente russo e a Sibéria; um encontro com o presidente Dimitri Medvedev também está acertado

Por Da Redação 20 ago 2011, 12h17

O dirigente norte-coreano Kim Jong-Il, que viaja em raras ocasiões ao exterior, chegou neste sábado à Rússia, na primeira visita ao país desde 2002, num contexto de graves tensões entre as duas Coreias. “Um encontro com o presidente Dimitri Medvedev será o principal acontecimento da visita”, informou o Kremlin em comunicado, acrescentando que o norte-coreano visitará o Extremo Oriente russo e a Sibéria, sem mais detalhes.

O presidente da Coreia do Norte chegou neste sábado, em seu trem especial que cruzou o rio Tumen na fronteira entre os dois países, disse Alexander Naryjny, chefe do distrito de Khasan, no Extremo Oriente russo, na fronteira com a Coreia do Norte. Kim Jong-Il jamais viaja de avião e a visita não chegou a ser anunciada oficialmente.

Autoridades da região, entre elas o governador e um emissário do Kremlin, encarregaram-se da recepção a Kim, em Khasan, durante uma cerimônia, precisou Naryjny. Segundo a agência sul-coreana Yonhap, Kim prevê visitar, ainda neste sábado, uma represa em Usurisk, perto de Vladivostok e da fronteira com a Coreia do Norte.

A visita à Rússia está prevista para durar uma semana. A anterior ocorreu em 2002, quando Kim Jong-Il encontrou-se com Putin em Vladivostok.

O ditador norte-coreano – que tem entre 69 e 70 anos e uma saúde frágil – prepara o filho, Kim Jong Un, nascido em 1983 ou 1984, para sucedê-lo à frente do regime stalinista. A Rússia faz parte do Grupo dos Seis que, junto com as duas Coreias, os Estados Unidos, Japão e China, negociam a eliminação das instalações nucleares da Coreia do Norte. As conversações estão estagnadas desde dezembro de 2008.

Ameaça – Recentemente, Pyongyang lançou uma ameaça de “guerra total” na península coreana, quando de um novo incidente durante as tradicionais manobras militares anuais conjuntas entre Estados Unidos e Coreia do Sul, iniciadas em 16 de agosto e com duração prevista de dez dias. “A península coreana enfrenta a pior crise de sua história. Uma guerra total pode ser provocada ao menor incidente”, declarou a agência oficial norte-coreana KCNA.

Para o jornal Roding Sinmun, que expressa a voz do regime comunista, as manobras deste ano têm por objetivo desenvolver as capacidades de ataque contra unidades de produção nuclear e de mísseis do Norte. “Nosso Exército e nosso povo não ficarão imóveis diante da mobilização em massa de soldados imperialistas americanos que ameaçam nossos direitos soberanos”, escreveu o jornal.

Cerca de 21.000 norte-coreanos fugiram do país para a Coreia do Sul desde a guerra de 1950-53, a grande maioria nos últimos anos, para escapar da pobreza, repressão e falta de alimentos.

(com Agence France-Presse)

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