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Deputados russos ratificam protocolo de adesão da Rússia à OMC

Por Por Eléonore DERMY - 10 jul 2012, 14h46

A Duma, a câmara baixa do parlamento russo, ratificou nesta terça-feira o protocolo de adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC), uma etapa histórica que põe fim a 18 anos de difíceis negociações.

O texto, que teve a oposição principalmente dos parlamentares comunistas, foi ratificado por 238 votos a favor, 208 contra e uma abstenção.

Somente os deputados do partido no poder Rússia Unida, que dispõe da maioria absoluta na Duma, com 238 cadeiras em um total de 450, votaram a favor.

Mas até mesmo o deputado do PC, Alexei Pouchkok, reconheceu que esta decisão é arriscada.

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“Entrar na OMC é como saltar em água congelada”, escreveu em seu Twitter. “Se voltarmos à superfície, ganhamos em saúde, mas se a corrente nos carregar, significará que não deveríamos ter pulado”, acrescentou.

Os outros partidos representados anunciaram que votariam contra, pois consideram que inúmeras empresas russas acabarão declarando falência devido à concorrência estrangeira.

Cerca de cinquenta membros do PC se reuniram na manhã desta terça-feira em frente à Duma, antes do início dos debates, exibindo cartazes com as inscrições “A entrada na OMC é o caminho para o abismo” e “A OMC vai estrangular a Rússia”.

No início das discussões, o ministro russo do Desenvolvimento Econômico, Andrei Belooussov, exortou os deputados a tomarem uma decisão “extremamente importante” ratificando o texto.

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Ele ressaltou que a integração permitirá atrair mais investimentos estrangeiros para o país.

Ao integrar a OMC, a Rússia deverá reduzir suas tarifas alfandegárias, que passarão, de acordo com Belooussov, de 9,5% para 6% até 2015. Uma medida que vai aumentar a concorrência, oferecendo aos produtores estrangeiros um maior acesso ao mercado russo .

Os críticos do projeto acreditam, contudo, que isso permitirá aos estrangeiros inundar o mercado com seus produtos baratos, levando à falência inúmeras indústrias herdeiras do período soviético.

“O que a Rússia quer, além de satisfazer a vaidade de seus líderes atuais?”, questionou o comunista Sergei Rechulski. “Não temos nada para vender, exceto armas e fertilizantes”, acrescentou.

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Ele também criticou a redução de subsídios estatais, principalmente na agricultura, que devem passar de 9 bilhões de rublos (222 milhões de euros) para 4,4 bilhões até 2018 (108 milhões de euros). “Quem ainda duvida que este é um programa de destruição da agricultura?” lançou.

O Partido Comunista e o Rússia Justa (centro-esquerda) tentaram recorrer ao Tribunal Constitucional para bloquear a ratificação do protocolo, mas não obtiveram sucesso na segunda-feira.

O secretário americano de Comércio Exterior, Ron Kirk, comemorou o resultado da votação em um comunicado.

Ele ressaltou que a integração da Rússia oferecerá aos Estados Unidos novas oportunidades. Kirk voltou a exortar o Congresso americano a abolir a emenda Jackson-Vanik, uma lei da Guerra Fria que impede as exportações dos Estados Unidos para a Rússia.

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O país, última grande potência a ser incorporada à OMC, conseguiu em dezembro passado a permissão dos países da organização para sua adesão, após 18 anos de negociações difíceis.

Este texto deve ser aprovado pelo Conselho da Federação (câmara alta) e depois assinado pelo presidente Vladimir Putin, para entrar em vigor 30 dias depois. A Rússia será o 156º membro da organização.

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