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Deputado da Holanda quer promover referendo sobre saída da UE

A primeira tentativa de Geert Wilders foi rejeitada pelo Parlamento, mas o deputado de extrema-direita pretende continuar insistindo em uma votação

Por Da Redação - 8 jul 2016, 16h08

O deputado holandês de extrema-direita Geert Wilders prometeu na quinta-feira batalhar para realizar um referendo na Holanda sobre uma possível saída da União Europeia (UE). Além disso, o parlamentar quer fechar as fronteiras aos imigrantes muçulmanos e diz que o país deveria deixar a zona do euro.

Apesar de uma primeira tentativa fracassada com uma moção no Parlamento, rejeitada por maioria esmagadora na semana passada, Wilders insistiu que um referendo sobre o “Nexit” (em referência a Nederland, nome dos Países Baixos em holandês) será tema de campanha do Partido da Liberdade (PVV) nas próximas eleições parlamentares, previstas para março.

“Essa foi uma grande vitória. O Reino Unido recuperou a sua soberania e tornou-se novamente um país livre e independente”, disse Wilders. Segundo o deputado, a instabilidade do período de adaptação pelo qual os britânicos passam será temporária. “No longo prazo, a nível político e também econômico, o Reino Unido provará que fez a escolha certa e que se livrou de todos estes políticos de Bruxelas que não foram eleitos, mas que mesmo assim decidem as políticas monetárias, fiscais e de imigração”, declarou.

Wilders não poupou insultos ao falar sobre a UE e disse que a Holanda, quinta economia na zona do euro, deveria inclusive voltar à sua antiga moeda, o florim. “Embora não possamos comparar com a União Soviética, Bruxelas é uma instituição totalitária, ao estilo soviético”, acrescentou. Questionado sobre a possibilidade de mudar a UE, o deputado disse que “é mais fácil mudar a Coreia do Norte do que a União Europeia”.

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A primeira proposta de Wilders pelo referendo teve apenas 14 votos a favor, contra 124 contrários. Analistas políticos avaliam que, mesmo que alguns membros Parlamento considerem favorável uma saída da UE, há pouca vontade entre os outros partidos de trabalhar em parceria com o extremista e polêmico PVV.

A imigração foi um dos pontos cruciais da campanha pelo Brexit no Reino Unido e também é ponto mais reforçado por Wilders. O deputado, que enfrenta um processo judicial por incitar o ódio, assegurou que, com o Nexit, pararia o fluxo de refugiados e “fecharia as fronteiras para as pessoas que chegam de países muçulmanos”.

“Nós não somos xenófobos, mas somos contra o fluxo de uma cultura que se opõe ao que acreditamos”, afirmou o deputado, dizendo que a cultura judaico-cristã é “superior”. Wilders é mais um político a ganhar fama por declarações polêmicas e afirma apoiar o candidato americano Donald Trump, dizendo ter sido convidado para a convenção do Partido Republicano em julho, nos Estados Unidos.

(Com AFP)

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