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Crise econômica pode matar centenas de milhares de crianças, alerta ONU

Relatório aponta que até 66 milhões de crianças podem cair em extrema pobreza devido à pandemia de coronavírus

Por Da Redação 16 abr 2020, 18h19

A Organização das Nações Unidas alertou nesta na quinta-feira, 16, que centenas de milhares de crianças podem morrer em 2020 devido à crise econômica global desencadeada pela pandemia de coronavírus e que outras dezenas de milhões podem cair em extrema pobreza. O relatório de risco da ONU apontou que quase 369 milhões de crianças em 143 países que dependiam de refeições escolares agora foram forçadas a procurar outra fonte confiável de nutrição diária.

“Devemos agir agora sobre cada uma dessas ameaças a nossos filhos”, disse o secretário-geral da ONU, o português Antonio Guterres. “Os líderes devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para amortecer o impacto da pandemia. O que começou como uma emergência de saúde pública se transformou em um teste formidável para a promessa global de não deixar ninguém para trás.”

A ONU aponta que cerca de 42 a 66 milhões de crianças podem cair em extrema pobreza como resultado da crise do coronavírus este ano, somando aos estimados 386 milhões de crianças que já estão em extrema pobreza em 2019. O relatório sobre crianças também disse que 188 países impuseram o fechamento de escolas em todo o país, afetando mais de 1,5 bilhão de crianças.

“As perdas potenciais que podem resultar em aprendizado para a geração jovem de hoje e para o desenvolvimento de seu capital humano são difíceis de entender”, afirmou Guterres. “Mais de dois terços dos países introduziram uma plataforma nacional de ensino a distância, mas entre os países de baixa renda a participação é de apenas 30%.”

  • A Covid-19 surgiu pela primeira vez na cidade chinesa de Wuhan no final do ano passado e, até o momento, já infectou mais de 2 milhões de pessoas – matando 138.000 – em 213 países e territórios. Comparadas aos adultos, as crianças infectadas com o coronavírus têm menos probabilidade de apresentar sintomas e maior probabilidade de ter uma doença leve, segundo estudos americanos e chineses.

    O relatório da ONU, porém, alertou que “as dificuldades econômicas vivenciadas pelas famílias como resultado da crise econômica global podem resultar em centenas de milhares de mortes infantis adicionais em 2020, revertendo os últimos 2 a 3 anos de progresso na redução da mortalidade infantil em um único ano.”

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    Com as empresas fechadas e mais de um bilhão de pessoas mandadas ficar em casa para evitar a propagação do vírus, o Fundo Monetário Internacional previu que o mundo sofrerá neste ano a maior desaceleração desde a Grande Depressão da década de 1930.

    Risco de fome

    Os países mais pobres do mundo, especialmente os do continente africano, correm o risco de cair na fome como resultado da pandemia de coronavírus. “Do ponto de vista da segurança alimentar, alguns lugares estão muito próximos da fome”, disse Dominique Burgeon, diretor de emergências da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO), segundo informações do diário britânico The Guardian. “O número de pessoas à beira de ser extremamente vulnerável já era muito alto. O que tememos é que esse número aumente ainda mais por causa do impacto do Covid-19 na segurança alimentar. ”

    Segundo ele, a situação traz riscos à economia do mundo todo, em situação semelhante à observada entre 2007 e 2008, quando a subida do preço dos alimentos provocou tumultos em todo o mundo, desestabilizando estados frágeis e alimentando conflitos de maneiras que ainda são sentidas.“Trata-se de uma questão de solidariedade internacional e humanidade, mas também de segurança global, para garantir que a situação em algumas partes do mundo não crie distúrbios alimentares”, disse Burgeon. 

    Segundo ele, países do chamado Chifre da África, região que inclui Somália, Etiópia, Eritreia e Somalilândia, já estavam enfrentando problemas graves, depois que enxames de gafanhotos atacaram plantações no pior surto desse tipo em 70 anos. Antes do ataque do coronavírus, estimava-se que pelo menos 20 milhões de pessoas já corriam risco de insegurança alimentar aguda.

    “O nível de necessidade já era extremamente alto . A única coisa que eles não precisavam era de mais um choque. Estamos muito preocupados ”, afirmou Burgeon.

    (com agência Reuters)

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