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Crise com Catar interrompe viagens aéreas na região

A Arábia Saudita proibiu a entrada de todos os aviões do Catar em seu espaço aéreo. Etihad e Emirates suspenderão todos os voos de Doha a partir da terça

Por Da redação - 5 jun 2017, 21h07

Viagens aéreas para o Golfo Pérsico, ou com escala na região, podem sofrer interrupções após a decisão de sete países árabes – Arábia SauditaEgitoEmirados Árabes Unidos (EAU)Bahrein, Líbia, Iêmen e Maldivas – de cortar relações com o Catar, anunciada nesta segunda-feira. A pequena monarquia produtora de petróleo é acusada de tentar promover a instabilidade na região e financiar grupos terroristas.

As restrições mais severas vieram da Arábia Saudita, que proibiu o pouso de todos os aviões do Catar em seus aeroportos bem como a entrada no espaço aéreo saudita.  As companhias aéreas Etihad Airways, de Abu Dhabi, e a Emirates Airline, de Dubai, disseram que suspenderiam todos os voos de ida ou volta de Doha a partir da manhã de terça-feira, por prazo indefinido. As demais nações árabes também planejam cortar o tráfego marítimo e aéreo com o Catar.

A crise fez com que a Qatar Airways, principal companhia aérea do pais, suspendesse todos os voos para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Bahrein. Em um comunicado publicado em seu site, a companhia disse que a suspensão de seus voos entrará em vigor na terça-feira e durará por tempo indeterminado. Os clientes afetados poderão pedir reembolso das passagens.

O Catar possui muitos aeroportos na região do Golfo que servem de centros de conexões de voos internacionais. O Aeroporto Internacional de Hamad, maior do país, recebeu 9,8 milhões de passageiros de janeiro a março, de acordo com seu website.

“Há um impacto mais amplo do que a Qatar Airways não ser capaz de aterrissar em mercados como o saudita ou dos Emirados Árabes Unidos, considerando que estes mercados são fontes significativas de trânsito de passageiros”, disse Will Horton, analista do centro de aviação Capa, na Austrália.

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“Um passageiro em Riad pode não ser capaz chegar a Bangcoc com conexão via Doha, e um passageiro em Dubai pode não chegar a Londres via Doha“, acrescentou.

A mais recente disputa entre Estados do Golfo Pérsico é um novo desafio para as companhias aéreas da região, em um momento no qual o presidente americano, Donald Trump, tenta restringir o tráfego de passageiros de alguns países de maioria muçulmana para dentro dos Estados Unidos.

Base área americana

O secretário de estado americano, Rex Tillerson, afirmou que a crise não influenciará as missões mantidas pelo país na região. “Não espero que isso tenha impacto significante, se é que terá impacto, na luta unificada luta contra o terrorismo, na região ou globalmente falando”, disse.

O Catar é a sede da base aérea de Al-Udeid, que abriga o posto avançado do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, e possui cerca de 10 mil soldados americanos. O major americano Adrian Rankine-Galloway disse que não há planos de mudar a postura no Catar em meio à crise diplomática no Golfo e afirmou que as aeronaves militares americanas continuam a voar em missões no Afeganistão, no Iraque e na Síria. “Encorajamos todos os nossos parceiros na região a reduzir as tensões e a trabalhar em soluções que permitam a segurança regional”, disse o major à Associated Press.

(Com Reuters e AFP)

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