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Coreia do Norte diz que armistício com Seul perdeu validade

Decisão é uma resposta ao aumento das sanções da ONU impostas ao país e completa semana de ataques verbais e ameaças à Coreia do Sul e aos EUA

Por Da Redação - 8 mar 2013, 05h59

Após ameaças feitas nos últimos dias, a Coreia do Norte anunciou nesta sexta-feira que anulou os acordos de não agressão assinados em 1953 com a Coreia do Sul, que decretaram o armistício entre os países vizinhos após a Guerra da Coreia, iniciada três anos antes. A decisão é uma resposta à resolução do Conselho de Segurança da ONU que, um dia antes, ampliou as sanções já impostas ao país. As Coreias do Sul e do Norte jamais assinaram um acordo de paz para colocar um ponto final no conflito e, tecnicamente, ainda estão em guerra. Além disso, o regime do ditador Kim Jong-un prometeu fechar o único posto de fronteira entre os vizinhos, acabando com o contato direto entre os países. A medida impacta diretamente o trânsito de pessoas e de mercadorias.

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A afirmação de que os acordos perderam a validade é o mais recente episódio de uma semana marcada pelo aumento da tensão com a Coreia do Sul e os Estados Unidos, país que o regime de Pyongyang ameaçou com um “ataque nuclear preventivo”. O governo americano declarou levar a sério a ameaça, mas ressaltou que a Coreia do Norte tem usado de uma “retórica extrema” nos últimos dias. Analistas políticos não acreditam que o governo norte-coreano tenha tecnologia suficientemente avançada para lançar um míssil com capacidade nuclear nos EUA a curto ou médio prazo, por isso, o desafio se insere mais nas habituais provocações belicistas do país.

Autodestruição – A troca de ataques verbais na península coreana se intensificou com o Ministério da Defesa da Coreia do Sul fazendo uma grave advertência nesta sexta: “Se a Coreia do Norte atacar a Coreia do Sul com uma arma nuclear, o regime de Kim Jong-un desaparecerá da Terra“, afirmou o porta-voz do Ministério, Kim Min-seok. O representante da Defesa disse que, “embora no passado a bomba atômica tenha sido utilizada duas vezes para pôr fim à Segunda Guerra Mundial, o ataque a uma sociedade livre e democrática, como a República da Coreia, não será perdoado pela humanidade”.

A presidente sul-coreana, Park Geun-hye, também reiterou a intenção de “responder duramente” a futuras provocações da Coreia do Norte e assegurou que o país comunista enfrentará sua “autodestruição” se continuar com suas políticas militaristas.

Por outro lado, uma fonte militar manifestou à agência sul-coreana Yonhap que a unidade de artilharia da Coreia do Norte na frente ocidental aumentou seus exercícios desde o início do ano, com a mira voltada para Seul e seus arredores. Nas últimas semanas, EUA e Coreia do Sul também estão realizando manobras militares conjuntas na região e na segunda-feira iniciarão novos exercícios.

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Sanções – A escalada de provocações da Coreia do Norte e sua ameaça sem precedentes de iniciar uma guerra nuclear estão diretamente relacionadas com o acordo, formalizado terça-feira passada pelos Estados Unidos e a China na ONU, para impor novas sanções ao regime comunista como retaliação a seu teste nuclear de fevereiro. O aumento das sanções foi aprovado nesta quinta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, por unanimidade.

Entre as medidas previstas estão um reforço das inspeções no país para impedir o tráfico de produtos ilícitos e bens de luxo, assim como restrições a três novas pessoas e duas empresas envolvidas em atividades ilegais.

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