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Copiloto voava em Boeing 777 pela primeira vez sem instrutor

Malaysia Airlines afirmou que Fariq Abdul Hamid havia sido aprovado em testes e que não havia “nenhum problema” com o profissional de 27 anos

O copiloto do avião desaparecido da Malaysia Airlines, Fariq Abdul Hamid, de 27 anos, fazia seu primeiro voo sem um instrutor supervisionando seu trabalho na cabine de um Boeing 777. Segundo a Malaysia Airlines, Fariq, que trabalhava há sete anos na companhia, era um iniciante em voos com esse modelo de aeronave e fazia seu sexto voo. Outras cinco viagens bem-sucedidas com um “copiloto de checagem” lhe garantiram as credenciais necessárias para acompanhar o piloto Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, de forma independente. Nesta segunda-feira, o governo da Malásia informou que a aeronave caiu no Oceano Índico e que não há sobreviventes entre os 227 passageiros e doze tripulantes a bordo do voo MH370.

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“Nos cinco primeiros voos, o copiloto voou normalmente com o que chamamos de copiloto de checagem. Ele foi aprovado nos cinco primeiros voos. Não vemos problema nenhum com ele”, disse Ahmad Jauhari Yahya, chefe da companhia aérea, em uma entrevista coletiva. Hamid tinha 2.763 horas de voo de experiência e era considerado pelos colegas de profissão um entusiasta da aviação. Segundo o jornal britânico The Telegraph, era do conhecimento da Malaysia Airlines que Hamid estava passando por um processo de transição para o Boeing 777. (Continue lendo o texto)

Stephen Buzdygan, um ex-piloto da British Airways que trabalhava com os modelos 777 da Boeing, disse ao jornal que a inexperiência do copiloto não oferecia nenhum risco para a segurança do voo. “Ele passaria por treinos muito duros antes de ser autorizado a chegar perto de um avião com passageiros. Os malaios são muito rigorosos, eu não acho que isso seja significante para o ocorrido”, afirmou. Hamid também passou pelo crivo dos “pilotos de checagem” que supervisionaram os seus voos anteriores. Esses profissionais não atuam como um membro adicional na cabine de comando, apenas avaliam a conduta do piloto para garantir que ele entende as limitações e capacidades da aeronave que está sob sua responsabilidade.

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As autoridades não estão trabalhando neste momento com a possibilidade de a inexperiência de Hamid ter provocado o acidente com o avião. Mas o copiloto, assim como o piloto Shah, são investigados devido à suspeita de que alguém desligou deliberadamente os sistemas de localização da aeronave antes da mudança de rota que levou o avião para uma área a cerca de 2.500 quilômetros do porto de Perth, na costa da Austrália. Os investigadores apreenderam objetos pessoais e aparelhos eletrônicos tanto na casa de Hamid quanto na de Shah, mas não encontraram nenhuma pista até agora que possa indicar a intenção dos tripulantes de sequestrar ou sabotar a aeronave.