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Companhias aéreas japonesas aceitam exigências chinesas

Contrariando o governo japonês, empresas de aviação afirmam que a decisão tem o objetivo de proteger passageiros

Por Da Redação 26 nov 2013, 07h53

As duas principais companhias aéreas japonesas decidiram se enquadrar à nova ‘zona aérea de identificação’ decretada no sábado por Pequim no espaço aéreo do Mar da China Oriental, apesar da opinião contrária do governo japonês. A Japan Airlines (JAL) e a All Nippon Airways (ANA) indicaram nesta terça-feira que irão submeter os planos de voos na região às autoridades chinesas, essencialmente por razões de segurança para seus passageiros. “Adotamos estes dispositivos de acordo com as regulamentações internacionais. A segurança é nossa prioridade absoluta. Devemos descartar ao máximo qualquer possibilidade de um cenário catastrófico”, afirmou um porta-voz da ANA. A JAL também anunciou que aceitaria as exigências chinesas, assim como já havia feito a pequena companhia Peach Aviation, filial da ANA.

O secretário-geral do governo japonês, Yoshihide Suga, afirmou que as empresas adotaram a decisão sem consultar o governo. “O ministério dos Transportes entrou em contato para informar que as medidas adotadas pela China não eram válidas para nosso país e que a posição do governo é que as companhias devem continuar voando de acordo com as regras anteriores”, disse Suga.

Manobras militares – Ignorando as tensões por causa da nova zona de defesa aérea, Pequim anunciou nesta terça-feira que o porta-aviões Liaoning partiu do porto de Qingdao, no litoral leste da China, para realizar uma missão de treinamento no Mar da China Meridional. A missão da frota chinesa não se desenvolve em águas próximas à zona em conflito, Mar da China Oriental, mas os navios irão atravessar a área em sua viagem ao Mar da China Meridional.

Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, a manobra já estava programada anteriormente. Outras embarcações militares irão acompanhar o porta-aviões, dois destroieres, o Shenyang e o Shijiazhuang, e duas fragatas, a Yantai e a Weifang. Todos os barcos estão armados com mísseis.

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Na segunda-feira, o Japão respondeu com a convocação do embaixador chinês em Tóquio. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, afirmou que o país não respeitaria a decisão chinesa. “Estou muito preocupado, já que é algo muito perigoso que pode levar a um incidente imprevisível”, declarou Abe ao jornal Tóquio Shimbun. O governo do Japão informou ainda que não se submeteria a esta zona de identificação, que “não tem nenhuma validade para o Japão”, nas palavras do ministro das Relações Exteriores, Fumio Kishida.

A Austrália também anunciou a convocação do embaixador chinês para manifestar oposição à súbita decisão de Pequim de criar a zona de defesa aérea sobre o Mar da China Oriental. “O momento e a forma do anúncio da China não ajudam ante as atuais tensões regionais e não contribuirão para a estabilidade regional”, disse a ministra das Relações Exteriores australiana, Julie Bishop.

Histórico – As Ilhas Senkaku – chamadas de Diaoyu pelos chineses – estão situadas no Mar da China Oriental, a 200 quilômetros a nordeste da costa de Taiwan – que também reivindica o arquipélago – e 400 quilômetros a oeste de Okinawa, no sul do Japão.

As relações entre Japão e China passam por uma crise devido à disputa pelas ilhas. Em setembro de 2012, o Japão comprou o arquipélago de um proprietário japonês, o que provocou a ira de Pequim e motivou violentos protestos em várias cidades da China.

O desabitado arquipélago Senkaku/Diaoyu é composto por cinco ilhotas e três rochas. A área é habitat de cardumes e por isso é frequentada por navios pesqueiros do Japão. Acredita-se, além disso, que a região na qual se encontram as ilhas possa abrigar grandes reservas de gás.

(Com agência France-Presse)

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