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Começa no Peru greve contra projeto minerador da americana Newmont

A cidade peruana de Cajamarca estava paralisada nesta quinta-feira por uma greve por tempo indeterminado contra o projeto minerador Conga, da americana Newmont, convocada por organizações que rejeitam a atividade mineradora nesta região, informaram os organizadores.

O protesto é organizado pela frente de Defesa Ambiental de Cajamarca, que retomou uma primeira greve de novembro passado tendo como exigência central de retirada do projeto, sob a acusação de que afetaria gravemente as fontes de água de Cajamarca, 850 km ao norte de Lima.

“Aqui estamos para realizar uma marcha e uma greve pacífica por tempo indefinido até que Conga seja retirada”, disse à imprensa Wilfredo Saavedra, líder da frente de Defesa de Cajamarca.

A cidade de Cajamarca não tinha atividade comercial, estava com o sistema de transportes quase inoperante e as aulas nas escolas estavam suspensas por decisão das autoridades educacionais, como medida preventiva diante de desordens.

Grupos de manifestantes realizam passeatas por esta cidade com lemas como “água sim, ouro não”, “a água é do povo, e não da mineração”, em meio à vigilância de um forte contingente de policiais antidistúrbios.

No lado do governo, o ministro do Meio Ambiente, Manuel Pulgar Vidal, disse nesta quinta-feira que “a atividade mineradora é importante no âmbito macroeconômico do país” e que “é necessário ter um componente ambiental na lógica de desenvolvimento”. “Mas dizer não à mineração é absolutamente irracional”, acrescentou.

O projeto Conga, que busca extrair ouro e cobre mediante um investimento de 4,8 bilhões de dólares da Newmont, encontra-se paralisado desde novembro após a primeira greve, que provocou confrontos e levou o governo a declarar temporariamente estado de emergência.