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Começa julgamento do opositor Leopoldo López

Preso sem provas, líder de partido opositor pode pegar 13 anos de prisão

O julgamento de Leopoldo López, preso desde 18 de fevereiro, começou nesta quarta-feira na Venezuela com uma demonstração de união de diferentes alas da oposição ao presidente Nicolás Maduro. O apoio a López foi manifestado por opositores que foram às imediações do Palácio de Justiça, no centro de Caracas, ou divulgaram declarações nas redes sociais e na imprensa com uma tese comum, a de que o líder do partido Vontade Popular é vítima de uma perseguição política e que sua prisão é injusta, destacou o jornal espanhol El País.

O prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, afirmou que os poderes públicos “estão sequestrados pela cúpula do governo” e criticou a Justiça venezuelana por “castigar os inocentes e absolver os verdadeiros culpados pela crise”. Pelo Twitter, o ex-candidato presidencial Henrique Capriles destacou: “Hoje começa o julgamento da Justiça podre contra nosso companheiro Leopoldo López. A primeira medida que o juiz deveria tomar hoje é libertá-lo”.

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Em entrevista coletiva, Maduro lançou sua ira contra López. “Tem que pagar e vai pagar, simples assim. Ele fez muitos danos a este país”, disse. “Sabem que ele é um representante dos gringos na Venezuela” que desde pequeno tem uma “visão messiânica de que nasceu para ser líder, para ser presidente da Venezuela”.

Acusado sem provas de incitação ao crime, associação para o delito, dano a prédios públicos e incêndio intencional, tudo o que López fez foi dar respaldo e voz aos estudantes que foram protestar pacificamente contra o governo. Somadas, as penas pelos crimes aos quais responde podem resultar em mais de treze anos atrás das grades. Em uma dessas idiossincrasias estapafúrdias só existentes em regimes totalitários, López, um civil, é mantido em um presídio militar. O julgamento deverá ser retomado no dia 6 de agosto, segundo informação do jornal venezuelano El Nacional.

O Ministério Público responsabiliza ainda Marco Coello, Christian Holdack, Demian Martin e Ángel González pelos danos à sua sede durante manifestação realizada no dia 12 de fevereiro, quando começou a onda de protestos. O julgamento dos estudantes também começou nesta quarta.

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Histórico – Em fevereiro, uma onda de protestos inundou o país, com as pessoas indo às ruas contra a alta criminalidade e inflação, a escassez de produtos básicos e a falta de liberdade. Parte da oposição pedia a renúncia do herdeiro político de Hugo Chávez, que permaneceu no cargo.

López participou em uma das duas manifestações contra o governo que ocorreram em Caracas em 12 de fevereiro. As duas marchas foram inicialmente pacíficas, mas forças do governo, apoiadas por milícias chavistas, conhecidas como “coletivos”, trataram de reprimir os manifestantes. Três pessoas morreram nesse dia. A repressão foi o estopim para novas manifestações, que acabaram parando o país por semanas, e mais reações violentas por parte do governo. Mesmo sem apresentar provas, o governo logo passou a tratar López como o bode expiatório da violência e a Justiça decretou a prisão do opositor.

Depois da prisão, ao Ministério Público controlado pelo chavistas chegou a anunciar que ele responderia pelas acusações de terrorismo e homicídio, entre outras. Organismos como a Anistia Internacional condenaram a prisão e a natureza das acusações, afirmando que elas consistiam em “uma tentativa politicamente motivada para silenciar a dissidência no país”. As acusações de terrorismo e homicídio foram posteriormente arquivadas, mas López continuou preso e os promotores ainda insistiram que ele respondesse pelas quatro acusações que agora foram levadas ao tribunal.

(Com agências France-Presse e EFE)