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Começa julgamento contra Garzón por investigar crimes franquistas

O famoso juiz espanhol Baltasar Garzón sentou-se nesta terça-feira no banco dos réus do Supremo Tribunal espanhol que, durante as próximas semanas, deve julgá-lo por querer investigar os crimes da ditadura franquista, apesar da existência de uma lei de anistia.

O acusado decidiu “fornecer competência à Audiência Nacional” (principal instância penal espanhola) para investigar os “desaparecimentos forçados” denunciados em 2006 pelos familiares das vítimas, afirmou a secretaria do Tribunal lendo o caso contra Garzón.

Minutos antes, o juiz, de 56 anos, mundialmente conhecido pela prisão do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, em 1998 em Londres, foi recebido por vários de seus colegas juízes, reunidos no Supremo Tribunal para expressar seu apoio.

Cerca de 200 de seus partidários, entre eles muitos familiares das vítimas do franquismo, também se concentraram na rua para expressar sua rejeição a um processo que denunciam como “injusto”.

“Penso que é um juiz valente, é o único que se atreveu a investigar os crimes franquistas”, afirmava Mercedes del Vas, de 47 anos.

Três de seus familiares desapareceram durante a Guerra Civil (1936-39) e a ditadura franquista (1939-75), entre eles sua avó, que foi identificada em uma fossa comum em Toledo (centro), explicou.

Garzón “está no Tribunal e os assassinos na rua”, denunciou, enquanto ao seu redor dezenas de pessoas gritavam “Queremos memória, queremos justiça!”.

Processado por duas associações de ultradireita, que o acusam de violar uma lei de anistia de 1977 por querer investigar o destino de cerca de 114 mil desaparecidos da Guerra Civil e da ditadura franquista, o juiz Garzón pode ser condenado a 20 anos de desqualificação profissional, o que significaria o fim de sua carreira.