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CNT informa ao TPI que a Líbia quer julgar Saif Al Islam Kadhafi

O Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio informou ao Tribunal Penal Internacional (CPI) que a Líbia deseja e está em condições de julgar Saif Al Islam, filho do falecido líder Muamar Kadhafi, em uma carta cuja cópia foi enviada à AFP.

“O CNT afirma que o sistema judicial líbio tem, mais do que ninguém, a responsabilidade de julgar Sail Al Islam e que o Estado líbio tem a vontade e é capaz de julgá-lo”, escreveu Mustafá Abdul Jalil, chefe das autoridades líbias, em carta dirigida ao juiz Sanji Mmasenono Monageng, presidente da sala preliminar I do TPI.

Abdul Jalil, que assegurou que o CNT continuará trabalhando estreitamente com o TPI, também afirmou que o Conselho Nacional de Transição está investigando os supostos crimes cometidos por Saif Al Islam.

Na véspera, as autoridades líbias afirmaram que querem que o TPI continue com sua investigação sobre Saif al Islam Kadhafi, segundo afirmou o procurador-geral do tribunal, Luis Moreno Ocampo.

O filho do ex-líder líbio foi capturado na semana passada no sul da Líbia e é alvo de uma ordem de prisão do TPI por crimes contra a humanidade, mas Trípoli afirmou que quer julgá-lo em seu território.

“Querem que continuemos com a investigação, para encerrar a investigação se conseguirmos”, declarou à AFP Moreno Ocampo, em visita a Trípoli para abordar o caso de Saif al Islam Kadhafi com as autoridades líbias.

Anteriormente, havia dito aos jornalistas que os líbios tinham “o direito de fazer justiça eles mesmos”.

Al-Islam Kadhafi, o último filho foragido do falecido ex-líder da Líbia, e procurado pelo TPI por supostos crimes contra a Humanidade, foi detido no dia 19.

Saif al-Islam foi apresentado durante muito tempo como o provável sucessor de Muamar Kadhafi.

Segundo chefes militares do CNT, há um mês Saif al-Islam ficou ferido no bombardeio contra seu comboio quando deixava Bani Walid (170 km a sudeste de Trípoli) na queda desse bastião kadhafista em meados de outubro.

Desde 27 de junho, Saif al-Islam, de 39 anos, era alvo de uma ordem de captura do TPI por suspeitas de crimes contra a Humanidade. Ele é acusado de ter tido “um papel-chave para executar um plano” concebido por seu pai para “reprimir por todos os meios” o levante popular.

O primeiro-ministro líbio interino, Abdel Rahim al-Kib, afirmou que Saif al-Islam Kadhafi, terá um “julgamento justo, no qual os direitos e a lei internacional estejam garantidos”.

A Anistia Internacional e a Human Rights Watch pediram que CNT entregue Saif al-Islam ao TPI para evitar “o que aconteceu com Muamar e Muatasim Kadhafi”, ambos mortos depois de terem sido capturados vivos.

Saif al-Islam apareceu em público pela última vez na noite de 22 de agosto quando a rebelião o dava como capturado. O filho de Kadhafi apareceu diante de jornalistas estrangeiros assegurando que tudo estava “bem” em Trípoli, algumas horas antes da queda do quartel-general de seu pai na capital líbia.

O conflito na Líbia terminou no dia 23 de outubro com a proclamação da “libertação total” do país, três dias depois da morte de Muamar Kadhafi.