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Clarín denuncia invasão de militares à sede de TV do grupo

A invasão teria sido motivada pela denúncia feita por grupo ligado à presidente

O jornal argentino Clarín denunciou nesta terça-feira a invasão – por três horas – de militares à sede de TV a cabo do grupo, a Cablevisión. Segundo o veículo, cerca de 50 agentes das forças de segurança chegaram ao local acompanhados de funcionários da Justiça e por câmeras de um programa do canal estatal. A notícia foi repercutida pelo jornal La Nación, também de oposição ao governo.

A medida foi motivada por uma denúncia feita pelo Grupo Uno, mais conhecido como Vila-Manzano, aliado de Cristina Kirchner e que apoia o projeto de controle do papel jornal, afirma o site da publicação. A ordem para ocupar o lugar teria sido emitida pela Justiça de Mendoza, mas o grupo não tem operações naquele local, enfatiza. “A denúncia que originou a decisão judicial foi feita pelo grupo Vila-Manzano, um dos veículos com empresas em Mendoza e outras partes do país. É um aliado fundamental do governo e um dos mais beneficiados”, diz a reportagem do Clarín.

Um comunicado da Cablevisión acusa o mesmo conglomerado de levar adiante “uma manobra com o auxílio de um juiz para tentar intervir” na TV e afirma que se trata de uma ação “sem precedentes que faz parte da campanha de perseguição que o governo impõe contra as empresas do grupo Clarín”. O ministro do Interior, Florencio Randazzo, qualificou a acusação de que os militares atuaram em nome do governo como um “disparate”. Segundo ele, a invasão foi uma ação judicial.

Papel jornal – Uma iniciativa da presidente Cristina Kirchner, aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados e que segue para o Senado, declara o papel para jornal como um bem de interesse público, com o argumento de que é necessário regular sua atividade comercial para que deixe de ser controlado apenas pelos princípios de mercado.

A única empresa responsável pela distribuição do produto, a Papel Prensa, tem como acionistas majoritários os dois maiores jornais do país, Clarín (49%) e La Nación (22,49%), com participação do estado. A produção anual gira em torno de 170.000 toneladas, que abastecem 130 meios de comunicação impressos. A demanda local é de cerca de 230.000 toneladas, por isso alguns jornais têm de importar papel.

Os maiores partidos da oposição votaram contra o projeto, porque garantem que ele pretende controlar os meios de comunicação e que é baseado no conflito do governo com o Clarín e o La Nación. No dia seguinte à aprovação do projeto de lei, na sexta-feira passada, o La Nación estampava a manchete: “Papel mordaça?”, destacando que “se o governo assumir o controle do papel, só haverá lugar para a imprensa do governo”.

Também na sexta-feira, Cristina declarou que a iniciativa “democratiza o acesso ao insumo básico”, o que era uma demanda de jornais e revistas do interior do país. “Eu não penso em ter nenhum jornal, não me interessa. A lei é para que cada um possa dizer o que quiser”, disse a presidente. O Vila-Manzano apresenta a si próprio em seu site com um dos “grupos multimeios mais importantes do interior da Argentina”.

(Com agência EFE)