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Ciclone provoca remoção de 450.000 pessoas na Índia

Fenômeno deve atingir o país neste sábado, com chuvas e ventos

Por Da Redação 12 out 2013, 12h51

Chuvas e ventos fortes atingem neste sábado a costa leste da Índia, obrigando a fuga de cerca de 450.000 pessoas para abrigos. O fenômeno acontece no momento em que o ciclone Phailin, um dos maiores já registrados no país, se aproxima, ameaçando causar grande destruição em regiões rurais e vilarejos de pesca.

No fim da tarde, o ciclone ainda estava a cerca de 90 quilômetros da costa indiana, na Baía de Bengala, e deve chegar a terra firme à noite, com ventos entre 210 e 220 quilômetros por hora.

A tempestade deve afetar cerca de 12 milhões de pessoas, a maioria em regiões densamente povoadas nos estados de Odisha e Andhra Pradesh, segundo as autoridades meteorológicas e de gerenciamento de desastres.

Mesmo antes de sua chegada à costa, coqueiros em vilarejos costeiros foram quebrados pelo vento. Postes de eletricidade caíram e estradas estavam cobertas por destroços. As primeiras mortes foram confirmadas: duas pessoas morreram ao serem atingidas por árvores, e uma terceira no desabamento dos muros de sua casa de barro.

Fuga – A maioria das cidades ao longo da costa ficaram desertas, mas algumas pessoas ainda podiam ser vistas tentando fugir. Algumas se refugiaram em templos, outras se espremeram nos tradicionais triciclos indianos e partiram sentido interior. “Essa é uma das maiores operações de retirada de pessoas já feitas na Índia”, afirmou Shashidhar Reddy, vice-presidente da Autoridade Nacional de Gerenciamento de Desastres. Ele calcula que mais de 440.000 pessoas deixaram suas casas para fugir do ciclone.

O tamanho da tempestade aumenta as chances de grandes danos a propriedades, disse Reddy: “Nossa prioridade é minimizar a perda de vidas.”

O ciclone Phailin deve aumentar em 3 ou 4 metros o nível do mar quando chegar à costa, o que deve acontecer ainda neste sábado.

Contando os danos – O departamento de clima alertou para grandes danos em casas de barro, queda de energia e linhas de comunicação, além da inundação de ferrovias e estradas. Destroços levados pelo vento são outra preocupação. Muitas das pessoas que vivem na costa são pescadores e fazendeiros de subsistência, que vivem em casas de barro ou de palha.

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“Em uma tempestade dessa magnitude há potencial para grandes perdas em plantações e animais nas áreas costeiras mais baixas e podemos ter casas totalmente destruídas”, afirmou Kunal Shah, chefe da equipe de emergência do grupo de auxílio Visão Mundial na Índia. “Embora estejamos rezando para que essa tempestade perca intensidade, também estamos nos preparando.”

O grupo Risco de Tempestade Tropical, localizado em Londres, disse que o ciclone tem Categoria 5, a mais forte na escala. O serviço meteorológico da Marinha dos Estados Unidos afirmou que, no mar, os ventos chegaram a 314 quilômetros por hora.

Preparo – Em 1999, um tufão atingiu a mesma região e matou 10.000 pessoas. As preparações para desastres evoluíram muito na Índia desde então, e equipes de ajuda elogiaram ações tomadas desta vez, como a emissão de alertas antecipados, a estocagem de alimentos nos abrigos e o esvaziamento das regiões atingidas.

“Muito foi aprendido desde 1999 e minha aposta é que, embora possa haver muitas perdas a propriedades e plantações, a perda de vidas será muito menor”, disse G. Padmanabhan, analista de emergências do Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud).

Mas, apesar dos alertas, algumas pessoas se recusaram a deixar suas casas. “Tenho uma criança pequena, então pensei: `Como vou fugir’?”, disse Achamma, enquanto protegia seu filho em Donkuru, um vilarejo pesqueiro em Andhra Pradesh.

A polícia afirmou que uma operação de busca foi lançada para encontrar 18 pescadores no mar perto de Paradip, um grande porto em Odisha, depois de a embarcação ter ficado sem combustível. O porto interrompeu as operações de carga na sexta-feira. Todos os barcos receberam a ordem de deixar o local, que comercializa carvão, petróleo e minério de ferro.

Um navio petroleiro com mais de 2 milhões de barris, no valor de 220 milhões de dólares, também foi removido, disse uma companhia petrolífera.

(Com agência Reuters)

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