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China constrói ilhas em águas disputadas no sul da Ásia

‘NYT’ diz que até quatro ilhas estão sendo criadas em área reclamada por 6 países

A China está levando areia para recifes e bancos de areia para criar novas ilhas no arquipélago Spratly, no Mar da China, e ampliar sua influência na região. Segundo o jornal The New York Times, que consultou funcionários da diplomacia americana, será possível construir instalações e instalar equipamentos de vigilância nas ilhas, incluindo radares. Essas novas ilhas podem permitir à China reclamar uma exclusiva zona econômica a 200 milhas náuticas em cada uma, como definido em convenção internacional.

Segundo a reportagem, desde janeiro, a China trabalha na construção de três ou quatro ilhas, e ao menos uma delas teria instalações destinadas para uso militar. As ilhas também podem ser usadas para reabastecer navios, incluindo os de patrulha. O arquipélago Spratly contêm centenas de recifes, rochas, bancos de areia e pequenos atóis espalhados por mais de 414.000 metros quadrados. Seis países reclamam a área. A China e o Vietnã também competem pelas ilhas Paracel. As duas áreas têm peixe em abundância e algumas reservas de petróleo e gás.

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A construção das ilhas pela China é motivo de preocupação para o Vietnã, as Filipinas e outras nações do sul da Ásia, que também reclamam a soberania do arquipélago. O governo filipino argumenta que a China ocupa apenas rochas e recifes e, portanto, não está qualificada para as zonas econômicas. “Ao criar a aparência de uma ilha, a China talvez esteja buscando reforçar o mérito de suas reivindicações”, disse ao NYT M. Taylor Fravel, cientista político do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Os Estados Unidos também estão preocupados. O secretário de Defesa Chuck Hagel repreendeu a China por suas movimentações durante uma conferência de segurança realizada em maio, em Cingapura. O governo chinês diz ter direito de construir nas ilhas Spratly por considerá-las seu território. “A China tem soberania inquestionável sobre as ilhas Nansha”, disse a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Hua Chunying, usando o nome do arquipélago em chinês. A China também alega que o Vietnã e as Filipinas construíram mais estruturas na região em disputa do que a China.

No entanto, analistas ponderam que qualquer estrutura existente foi erguida antes de 2002, quando a China e outras nove nações do sul da Ásia assinaram uma declaração de conduta no Mar do Sul da China. Um dos artigos prevê que as partes devem evitar ações que aumentem as tensões na região e se abster de ocupar qualquer território desabitado. O acordo não é obrigatório e não proíbe explicitamente a criação de novas ilhas, mas os especialistas afirmam que esses pontos estão implícitos.

Fontes consultadas pelo jornal americano afirmam que o recife Johnson South, do qual a China se apoderou em 1988 depois de matar cerca de setenta soldados vietnamitas em um confronto, é a mais desenvolvida das ilhas. “Agora é a ilha Johnson, não é mais o recife Johnson”, disse um oficial que não foi identificado. O governo filipino divulgou imagens aéreas do local no mês passado.