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China confirma visita da OMS para investigar origem da Covid-19

Após primeira data de viagem ser adiada, diretor-geral da organização criticou obstáculos impostos por Pequim

Por Da Redação Atualizado em 11 jan 2021, 09h14 - Publicado em 11 jan 2021, 08h52

Uma equipe de especialistas internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) visitará a China nesta semana para realizar uma investigação sobre as origens do novo coronavírus, causador da Covid-19, confirmou nesta segunda-feira, 11, a Comissão Nacional de Saúde do país asiático.

Em breve comunicado publicado em seu site, a agência apenas indica que os técnicos da OMS chegarão à China na próxima quinta-feira e que irão “cooperar” com os cientistas locais nessas investigações. A missão deveria ter chegado ao país na semana passada. 

A Comissão não especifica os lugares para onde os especialistas irão. A chegada à China causou polêmica nas últimas semanas, depois que o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse estar “muito decepcionado” com os obstáculos que Pequim estava colocando no caminho, embora as autoridades chinesas negassem.

Vários membros da equipe haviam iniciado suas viagens à China nos primeiros dias do ano, mas Tedros lamentou que Pequim não tenha “completado as autorizações necessárias” para acesso ao país, que registrou o primeiro surto mundial da Covid-19, na cidade de Wuhan, durante os últimos dias de dezembro de 2019.

Os cientistas que não puderam entrar na China voltaram para seus países de origem até que a situação fosse resolvida.

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Em resposta, uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês chamou a situação de “mal-entendido”, garantindo na semana passada que “nunca houve nenhum problema de cooperação” com a OMS e que a organização sabia “perfeitamente” que não se tratava apenas de “um problema de visto”, acrescentando que as duas partes ainda estavam preparando a visita.

Esta missão, “prioritária” para a OMS, seria composta por cientistas de vários organismos internacionais dos Estados Unidos, Japão, Rússia, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Austrália, Vietnã, Alemanha e Catar.

O objetivo é encontrar a possível origem animal do vírus e seus canais de transmissão para humanos. Embora a teoria inicial seja de que se espalhou por um mercado de produtos frescos e animais em Wuhan, a imprensa oficial chinesa promoveu nos últimos meses uma narrativa alternativa, onde assegura que esse surto pode ser devido a alimentos congelados provenientes de outros países.

Nesta segunda-feira, a China registrou seu maior aumento diário em casos de Covid-19 em mais de cinco meses, sobretudo por conta de novas infecções na província de Hebei, perto de Pequim. A China soma, desde o início da pandemia, 96.824 casos confirmados, incluindo 4.792 mortes.

Embora especialistas da OMS já tenham visitado a China para esse fim em fevereiro e julho do ano passado – sem muitos detalhes serem revelados – a organização desta missão foi atrasada por meses e tem sido cercada de sigilo, tanto por parte da OMS quanto das autoridades chinesas.

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