Clique e Assine VEJA por R$ 9,90/mês
Continua após publicidade

China chegará a 1 milhão de mortes por Covid com reabertura, diz estudo

Flexibilização abrupta das restrições draconianas contra a pandemia ocorre apesar da baixa taxa de vacinação de idosos e capacidade limitada de UTIs

Por Da Redação
19 dez 2022, 09h39

A saída abrupta da China da política de Covid Zero, que reinou sobre o país desde o início da pandemia, em 2020, pode levar a quase 1 milhão de mortes, de acordo com um estudo da Universidade de Hong Kong divulgado pela mídia nesta segunda-feira, 19. Segundo projeções, os chineses vão passar por uma onda sem precedentes de infecções que se espalha de suas maiores cidades para suas vastas áreas rurais.

Por quase três anos, o governo chinês usou bloqueios rígidos, quarentenas centralizadas, testes em massa e rastreamento rigoroso de contatos para conter a propagação do vírus. Essa estratégia, que custou muito à economia do país e afetou cadeias de produção no mundo todo, foi abandonada no início deste mês, após uma onda de protestos em toda a China.

No entanto, especialistas alertaram que o país está mal preparado para uma flexibilização tão drástica, pois não conseguiu aumentar a taxa de vacinação entre idosos, elevar a capacidade de terapia intensiva em hospitais e estocar medicamentos antivirais.

+ Após relaxamento acelerado, China se prepara para novo surto de Covid-19

Nas condições atuais, segundo projeções de três professores da Universidade de Hong Kong, uma reabertura em todo o país pode resultar em até 684 mortes por milhão de pessoas. Dada a população da China de 1,4 bilhão de pessoas, isso representaria 964,4 mil mortes.

O surto de infecções “provavelmente sobrecarregaria muitos sistemas de saúde locais em todo o país”, disse o estudo financiado pelo Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e o governo de Hong Kong. O texto foi publicado na semana passada no servidor de pré-impressão do Medrxiv e ainda não foi submetido à revisão por pares.

Além disso, os especialistas afirmam que o fim simultâneo das restrições em todas as províncias chineses aumentaria a demanda de hospitalização em até 2,5 vezes mais que a capacidade hospitalar.

Continua após a publicidade

O cenário sombrio, contudo, pode ser evitado se a China iniciar rapidamente uma campanha de doses de reforço e aumentar o estoque medicamentos antivirais, segundo o estudo. Se a cobertura vacinal da quarta dose chegar a 85% da população e houver medicamentos disponíveis para 60% dos chineses, o número de mortes pode ser reduzido de 26% a 35%.

+ Mortes por Covid-19 aumentam após China flexibilizar restrições

A onda atual

Nesta segunda-feira, autoridades de saúde chinesas anunciaram duas mortes por Covid-19, ambas na capital Pequim, que enfrenta seu pior surto desde o início da pandemia. Essas foram as primeiras mortes oficialmente relatadas desde o fim da política de Covid Zero, em 7 de dezembro, embora postagens em redes sociais chinesas apontem para um aumento drástico na demanda de funerárias e crematórios de Pequim.

Continua após a publicidade

No Baidu, principal mecanismo de busca online da China, buscas pelo termo “casas funerárias” em Pequim também atingiram um recorde desde o início da pandemia.

+ Casos de Covid-19 explodem em Pequim e deixam ruas vazias

Outras grandes cidades estão enfrentando um aumento semelhante nas infecções. No centro financeiro de Xangai, a maioria das escolas voltaram a ter aulas online a partir de segunda-feira. Na metrópole de Guangzhou, no sul do país, as autoridades disseram aos alunos que já estão tendo aulas online para não se prepararem para o retorno à sala de aula.

Continua após a publicidade

Na megacidade de Chongqing, no sudoeste, autoridades anunciaram no domingo 18 que funcionários do setor público infectados pelo coronavírus podem trabalhar “normalmente” – uma reviravolta notável para uma cidade que apenas algumas semanas atrás estava no meio de um lockdown em massa.

+ China começa a abandonar política de Covid Zero após onda de protestos

O pior está por vir

Contudo, é difícil julgar a verdadeira escala do surto pelos números oficiais. A China parou de relatar casos assintomáticos na semana passada, admitindo que não era mais possível rastrear o número real de infecções. Além disso, cidades não estão mais fazendo testes em massa e passaram a permitir que as pessoas façam testes e se isolem em casa, o que significa que também não são contabilizadas.

Continua após a publicidade

Especialistas chineses alertaram que o pior ainda está por vir. Wu Zunyou, epidemiologista-chefe do CDC chinês, disse que o país está passando apenas pela primeira das três ondas de infecções esperadas no inverno do hemisfério norte.

+ China amplia leitos de UTI após aumento de novos casos de Covid-19

Segundo sua fala em uma conferência em Pequim no sábado 17, a onda atual deve durar até meados de janeiro. A segunda deve ocorrer entre o final de janeiro a meados de fevereiro do próximo ano, desencadeada pelas milhares de viagens antes do feriado do Ano Novo Lunar, que cai em 21 de janeiro – conhecida como a maior migração humana anual na Terra.

Continua após a publicidade

Por três anos consecutivos, as comemorações do Ano Novo Lunar foram desencorajadas pelas autoridades sob a política de Covid Zero. Especialistas alertam que, com o fim das restrições de viagens domésticas, o vírus pode se espalhar pelo interior da China, onde as taxas de vacinação são mais baixas e faltam recursos médicos.

Uma terceira onda de casos ocorreria do final de fevereiro a meados de março, quando as pessoas voltassem ao trabalho após o feriado de uma semana, disse Wu.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 49,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.