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Chega a 19 o número de brasileiros mortos no Haiti

Por Da Redação - 18 jan 2010, 12h32

O Exército informou na noite desta segunda-feira que foi confirmada a morte do coronel João Eliseu Souza Zanin, que estava entre os quatro militares desaparecidos desde o dia 12 de janeiro, quando um terremoto devastou o Haiti. Agora, já são 19 os brasileiros mortos na tragédia: 17 militares, além do diplomata brasileiro Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da ONU no país, e da médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança.

“O coronel estava ligado ao gabinete do comandante do Exército e encontrava-se no Haiti participando de reuniões de coordenação de pessoal, diz o comunicado.

Efetivo – Também nesta segunda, o Exército informou que tem condições de dobrar sua tropa no Haiti. Já o governo anunciou que vai liberar 35 milhões de reais para ajudar as vítimas da tragédia. O valor, anunciado pelo Ministério do Planejamento, chega a 19,8 milhões de dólares pela atual cotação, ou seja, supera a ajuda inicial anunciada pelo governo, de 15 milhões de dólares.

A liberação do dinheiro deverá ser autorizada na terça-feira, com a publicação de uma Medida Provisória que fará a abertura do crédito extraordinário. “A urgência e relevância do crédito justificam-se pela situação vivida naquele país, em consequência da destruição de grande proporção causada pelo desastre natural ocorrido”, argumenta o ministério do Planejamento, em nota. “A implementação de projetos humanitários visa evitar o agravamento da situação de fome e das condições sanitárias, bem como o aumento do número de mortes”, completa o texto.

Soldados – O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, disse que o Brasil tem disposição de ampliar seu efetivo no Haiti. A definição da cota de militares brasileiros, porém, deve ser definida e solicitada formalmente pela Organização das Nações Unidas (ONU), que coordena a missão de paz no país. Depois disso, o assunto deve ser analisado pelo Planalto e pelo Congresso. O Brasil, que lidera a missão, contava com 1.266 homens – 16 deles morreram na tragédia.

“Teríamos condições de dobrar nosso efetivo. Foram tropas que já foram para o Haiti. Já estão treinadas nos mais diversos aspectos, ou tropas que serão treinadas. Também teria que ver qual seria a composição destas tropas. Qual a natureza das tropas e de reforço?”, disse Peri, acrescentando que mais de 10.000 militares brasileiros já passaram pelo país.

Nações Unidas – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-moon pediu nesta segunda-feira ao Conselho de Segurança o envio de mais 3.500 soldados para integrar as forças de segurança no Haiti.

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Ban solicitou 1.500 policiais e 2.000 militares, que integrariam a missão de paz da ONU no país (Minustah). Antes do terremoto, a Minustah era formada por 7.000 agentes, conhecidos como “capacetes azuis”. A reunião entre Ban e os representantes dos 15 países que integram o Conselho de Segurança da ONU foi realizada a portas fechadas. “Vi cenas de partir o coração que nos compelem a agir rápida e generosamente agora e por um longo período”, disse Ban, acrescentando que as tropas adicionais que pediu deverão ficar por seis meses no país.

Dinheiro – A União Europeia anunciou nesta segunda-feira o envio de mais de 420 milhões de euros (cerca de 1 bilhão de reais) em ajuda ao Haiti. O dinheiro será dividido em duas partes: 137 milhões de euros para necessidades de curto prazo, e ao menos 200 milhões de euros a médio e longo prazo.

Segundo o ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Angel Moratinos, cinco países da Força de Gendarmeria Europeia – França, Espanha, Itália, Portugal e Holanda – estão dispostos a enviar ainda “entre 140 e 150 efetivos” ao Haiti. “Devemos esperar que chegue a nós nesta tarde um pedido formal da ONU” antes de decidir o envio deste contingente, ressaltou Moratinos, em entrevista a jornalistas.

A Grã-Bretanha ainda anunciou que vai triplicar sua ajuda ao país caribenho, com a liberação de 33 milhões de dólares. Anteriormente, o país havia prometido apenas 10 milhões de dólares em ajuda. O Ministério das Relações Exteriores francês anunciou que o país vai doar 10 milhões de euros (14,3 milhões de dólares) ao Haiti. Já a Noruega duplicará sua ajuda de emergência para 17,6 milhões de dólares. As Nações Unidas lançaram um pedido de doações de emergência para arrecadar 562 milhões de dólares para o Haiti.

Mortos – Cerca de 70.000 corpos foram enterrados em fossas comuns no Haiti depois do violento terremoto que devastou o país, anunciou no domingo o secretário de Estado para a Alfabetização, Carol Joseph. O ministro anunciou que o governo decretou estado de emergência até o final de janeiro, assim como um luto nacional de 30 dias, até 17 de fevereiro.

Leia no blog Terremoto no Haiti, por Diego Escosteguy:

Sob o olhar compassivo e superficial de um estrangeiro, a vida no Haiti hoje parece uma impossibilidade, uma chama frágil prestes a se apagar. Engano. Os haitianos demonstram uma resiliência incomparável. São um povo acostumado a sobreviver – aos furacões, às guerras civis, à elite corrupta, à miséria como rotina. O terremoto é a maior dessas tragédias, sem dúvida, mas quem apostar contra a capacidade da alma haitiana em viver perto da morte pode errar feio.

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