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Centenas acompanham funeral de padre crítico ao governo cubano

Por Adalberto Roque - 31 jul 2011, 16h29

O arcebispo cubano Pedro Meurice, um duro crítico do governo comunista, recebeu neste domingo um adeus em massa na cidade de Santiago de Cuba, onde foi sepultado dez dias depois de morrer em Miami, segundo testemunhas.

A missa, da qual participaram autoridades do Partido Comunista de Santiago de Cuba, 960 km a sudeste de Havana, e autoridades da província do mesmo nome, foi liderada pelo cardeal Jaime Ortega e monsenhor Dionísio García, presidente da Conferência Episcopal.

“Havia muita gente”, disse por telefone uma funcionária do Arcebispado de Santiago de Cuba, que completou que a catedral metropolitana esteve cheia durante a missa de exéquias.

Pessoas que participaram da missa calcularam entre 800 e até 1.000 pessoas que ocuparam o templo durante o culto de duas horas, e outras que ficaram nas ruas próximas sem conseguir entrar. Depois da missa, o cortejo fúnebre percorreu os três quilômetros que separam o templo do cemitério de Santa Ifigênia, que guarda os restos do herói nacional José Martí.

Participaram do funeral 60 opositores do governo, entre eles 20 mulheres integrantes das Damas de Branco – mulheres de ex-presos políticos -, lideradas por sua líder, Laura Pollán.

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Meurice, 79 anos e aposentado desde 2007, morreu em 21 de julho em um hospital de Miami, Flórida (sudeste dos EUA), devido a uma crise renal.

O padre teve notoriedade mundial em 24 de janeiro de 1998, durante a histórica visita de João Paulo II a Cuba. Nessa ocasião, pronunciou uma dura mensagem contra o governo do então presidente Fidel Castro na missa que este ofereceu ao Papa na cidade de Santiago de Cuba.

Diante de Raúl Castro, que era o número dois do governo e atualmente é o presidente de Cuba, Meurice afirmou que os cubanos deviam “desmistificar os falsos messianismos” e apresentou ao Papa o panorama de um país “desgarrado pelo exílio”, o “egoísmo” e a “pobreza de liberdade”.

Sua morte ocorreu em um momento em que existe um inédito diálogo entre a Igreja Católica e o governo de Raúl Castro, iniciado em maio de 2010, cujo resultado mais relevante foi a libertação de cerca de 130 presos políticos.

Esse diálogo alargou também o espaço social da Igreja na ilha, como um maior acesso à imprensa, após quase meio século de tensas relações com o governo comunista.

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