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Caso Trayvon Martin: EUA livram vigia de acusação de racismo

Departamento de Justiça considerou que não há provas de que George Zimmerman matou o adolescente Trayvon Martin movido por ódio racial

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos encerrou na terça-feira a investigação sobre a morte de Trayvon Martin, jovem negro desarmado que foi atingido pelo vigilante comunitário George Zimmerman em 2012, no Estado da Flórida. E decidiu que Zimmerman não terá de responder à acusação de crime de ódio racial.

Os investigadores ouviram 75 testemunhas, revisaram todo o material reunido pela justiça estadual e examinou indícios sem encontrar uma prova de que o vigia matou o jovem por causa de sua raça. “O padrão para um processo por crime de ódio não foi alcançado sob as circunstâncias deste caso”, afirmou o procurador-geral Holder.

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Em 2013, o vigia já havia sido absolvido pela da acusação de homicídio com base na tese de legítima defesa. Mas o governo americano insistiu na investigação para determinar se era possível apresentar acusações de violação aos direitos civis. Mesmo diante de uma causa improvável, já que não havia como provar que Zimmerman matou Martin movido por questões raciais, a iniciativa da administração Obama mirava uma parte barulhenta do eleitorado: os militantes dos direitos civis.

A investigação do Departamento de Justiça teve início em meio a um furor nacional relacionado ao caso, com protestos exigindo Justiça e respostas emotivas de Obama – o presidente chegou a dizer que, se tivesse um filho, ele se pareceria com Martin. A conclusão ocorre no apagar das luzes do mandato de Holder, que se mostrou especialmente engajado na questão, fazendo eco aos que viram na morte do adolescente um ato racista.

O caso de Martin, infelizmente, não foi o único a levantar protestos contra ação de policiais em relação à população negra nos Estados Unidos. A sensação de que a polícia é injusta, em alguns casos ofusca a questão central: houve ou não houve crime?

O Departamento de Justiça também está conduzindo duas investigações sobre direitos civis relacionadas à morte de Michael Brown, adolescente negro desarmado morto por um policial branco em Ferguson, em agosto do ano passado. Com base em quase 5.000 páginas de provas materiais e testemunhos (muitos deles desencontrados), um grande júri, formado por cidadãos comuns, decidiu que não havia elementos para indiciar o policial Darren Wilson. A decisão não impediu que manifestantes tomassem as ruas em várias partes do país.

A investigação do Departamento de Justiça no caso de Ferguson também será difícil, ainda mais porque envolve um policial que matou uma pessoa quando desempenhava sua função, destacou o New York Times. Apesar da pressão de manifestantes, os promotores precisam provar que houve uma violação intencional dos direitos civis das vítimas. Para condenar um policial, é preciso apontar uso intencional de força excessiva.

(Da redação de VEJA.com)