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Brasil doa a Cuba mais de 20.000 toneladas de alimentos em meio a crise e cerco de Trump

Governo Lula já havia enviado 2 toneladas de remédios para a ilha, onde a situação econômica se agravou com bloqueio dos EUA após captura de Maduro

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 mar 2026, 09h22 • Atualizado em 19 mar 2026, 09h25
  • O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) doou a Cuba mais de 20 mil toneladas de alimentos, informou o Ministério das Relações Exteriores a jornalistas nesta quinta-feira, 19. A nação insular tem recebido ajuda humanitária  enquanto enfrenta uma crise econômica e social agravada pelo bloqueio à importação de petróleo imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    De acordo com o Itamaraty, serão enviadas por meio do programa de alimentos da ONU 20 mil toneladas de arroz com casca, 150 toneladas de feijão preto, 150 de arroz polido e 500 de leite em pó enviados ao país caribenho, totalizando 20,8 mil toneladas de comida. Para transportar os suprimentos, o governo brasileiro aguarda a chegada de um navio cubano.

    Há quinze dias, duas toneladas e meia de medicamentos já foram despachadas a Havana de avião (a logística é mais simples porque os produtos são menos volumosos).

    Na quarta-feira 18, também chegou a Cuba um comboio humanitário internacional com 5 toneladas de remédios, organizado por ativistas, lideranças políticas, e entidades sindicais e estudantis. A comitiva brasileira no chamado “Comboio Nuestra América” reúne nomes do parlamento, do movimento sindical e de entidades estudantis.

    Estão entre os participantes a deputada estadual Paula Nunes (PSOL-SP), da Bancada Feminista em São Paulo; a vereadora de Belo Horizonte Iza Lourença (PSOL-MG); o secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Bernardo Lima; os deputados federais João Daniel (PT-SE), Valmir Assunção (PT-BA) e Orlando Silva (PCdoB-SP); o vereador de Campinas Gustavo Petta (PCdoB-SP); e Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

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    Baque econômico

    Cuba sofreu um severo impacto econômico desde que os Estados Unidos efetivamente bloquearam suas compras de petróleo no início deste ano, privando sua antiga rede elétrica da principal fonte de combustível. A maior parte dos 10 milhões de habitantes da ilha ficou sem energia na segunda-feira, quando o primeiro colapso da rede elétrica em todo o país obrigou-os a cozinhar com gás, à luz de tochas e velas.

    O governo reduziu o horário de aulas em escolas e adiou eventos esportivos, enquanto o lixo se acumula em alguns bairros devido à falta de combustível para os caminhões de coleta. Na tarde de terça, a energia havia voltado para cerca de 55% dos clientes na capital, Havana, e em algumas localidades nas regiões oeste e centro-leste do país.

    A crise energética na ilha piorou após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, pelas forças americanas, o que interrompeu abruptamente os envios de combustível de Caracas, principal fornecedor de Cuba nos últimos 25 anos. As Nações Unidas estão negociando com o governo Trump para permitir a entrada de combustível em Cuba para “fins humanitários”.

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    “Tomada” de Cuba

    O republicano, por sua vez, não esconde o seu desejo por uma mudança no regime castrista, chefiado pelo Partido Comunista em território a apenas 150 km dos Estados Unidos. No início do mês, disse que que Cuba “vai cair muito em breve”; no início deste ano, o instou Havana a “chegar a um acordo” ou enfrentar as consequências; também falou em uma “tomada amistosa” da ilha. “Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada amistosa de Cuba”, declarou.

    O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na terça-feira 17 que qualquer tentativa americana de tomar o país enfrentaria uma “resistência inabalável”. Antes disso, ele havia confirmado que seu governo abriu diálogo com representantes dos Estados Unidos, para “identificar os problemas bilaterais que precisam de solução”.

    “Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos”, afirmou Díaz-Canel em uma reunião com as principais autoridades do país, segundo imagens exibidas pela televisão cubana. “As conversas foram orientadas a buscar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações”, acrescentou.

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