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Apagão em Cuba deixa dois terços do país às escuras, incluindo Havana

Falha em usina termelétrica e escassez de combustível agravam a crise energética na ilha

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 mar 2026, 16h53 •
  • Um apagão de grande escala atingiu a maior parte de Cuba, incluindo a capital Havana, nesta quarta-feira, 4, deixando cerca de dois terços do país às escuras, informou a estatal Unión Eléctrica (UNE), responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia elétrica no país. A interrupção ocorre em meio a uma crise energética que se agrava desde meados de 2024, marcada por infraestrutura obsoleta e escassez de combustível.

    Segundo a UNE, o apagão afetou o Sistema Elétrico Nacional (SEN) desde a província de Camagüey, no centro, até Pinar del Río, no extremo oeste. “Todos os protocolos para o restabelecimento do SEN já foram ativados”, publicou a estatal nas redes sociais.

    A causa do incidente foi o desligamento inesperado da usina termelétrica Antonio Guiteras, a maior do país, localizada em Matanzas, devido a um vazamento na caldeira registrado às 12h41, horário local. Essa central já enfrenta problemas técnicos recorrentes.

    O Ministério de Energia e Minas (Minem) informou que outra das maiores usinas do país, a termoelétrica Felton, em Holguín, permanece em operação, com protocolos de recuperação ativados para facilitar a reconexão gradual do sistema. O diretor-geral de Eletricidade do Minem, Lázaro Guerra Hernández, acrescentou que o incidente provocou interrupções temporárias nos sinais de rádio e televisão em diversas áreas.

    Durante anos, o Sistema Elétrico Nacional esteve sob forte pressão, sofrendo frequentemente avarias em centrais termoelétricas, escassez de combustível e períodos prolongados de manutenção, o que leva a apagões diários em grande parte da ilha e reflete a fragilidade da rede energética cubana.

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    A situação energética de Cuba é agravada pela pressão internacional. Historicamente dependente do petróleo venezuelano, a ilha sofreu reduções nas remessas após pressão do governo de Donald Trump sobre Caracas, especialmente após a captura de Nicolás Maduro. O governo norte-americano também ameaçou aplicar tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba, o que levou o México a suspender remessas.

    Havana tem implementado medidas de austeridade, com cortes diários de energia que chegam a mais de 20 horas em grandes regiões e cerca de 15 horas em partes de Havana. Na terça-feira, o fornecimento em Havana foi interrompido por 19 horas e 20 minutos, com circuitos de emergência ainda desconectados na capital. Equipes técnicas trabalham para restabelecer o serviço, mas não há previsão de normalização completa.

    Diversas empresas do setor privado de Cuba realizaram nas últimas semanas as primeiras importações de combustível para o país, segundo informações confirmadas pela AFP nesta segunda-feira, 2. O movimento ocorre após o governo dos Estados Unidos, que aplica um bloqueio energético a Havana, flexibilizar a política de restrições e autorizar a venda de petróleo e derivados ao setor privado cubano, desde que esses produtos não sejam destinados a empresas estatais ou controladas pelos militares. A decisão é justificada por Washington como uma medida de “razões humanitárias”.

    No plano internacional, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, alertou para o risco de “colapso humanitário” caso Cuba não consiga importar combustível suficiente para atender às necessidades básicas da população.

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