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Brasil dá asilo a senador boliviano opositor de Morales

La Paz, 8 jun (EFE).- O senador boliviano Roger Pinto se uniu nesta sexta-feira às dezenas de opositores ao presidente Evo Morales que se declararam perseguidos políticos e se asilaram em outras nações, depois que o Governo de Dilma Rousseff confirmou que aceitou a solicitação do parlamentar.

O anúncio foi oficializado mediante um breve comunicado do Ministério de Relações Exteriores brasileiro de um só parágrafo no qual se explica que a decisão foi tomada ‘à luz das normas e da prática do Direito Internacional Latino-Americano’.

A concessão do asilo foi anunciada pouco depois que o chanceler boliviano, David Choquehuanca, disse em entrevista coletiva que não tinha nenhuma informação oficial sobre o caso, perante versões de um diário local que antecipou a decisão brasileira.

O Governo Morales ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas lhe corresponde emitir um salvo-conduto para que o senador possa deixar a embaixada e ir para o Brasil, onde não poderá fazer nenhum tipo de declaração política.

Pinto, que representa a região de Pando (norte), está refugiado na embaixada brasileira em La Paz desde o dia 28 de maio, e pediu asilo alegando que é vítima de uma perseguição política por criticar Morales e acusá-lo de não atuar contra o narcotráfico.

O parlamentar se queixou em carta que há mais de 20 processos penais contra ele abertos pelo Governo, ‘cada um mais descabelado do que o outro’, segundo ele.

Em declarações à Agência Efe, a senadora opositora Centa Reck comemorou a decisão do Brasil, embora tenha lamentado que o caso de seu colega mostre ‘que não estão sendo respeitados os direitos humanos nem a independência de poderes’ na Bolívia.

‘Não esqueçamos que temos mais de quinhentas pessoas exiladas (…) e agora com o caso do senador Pinto fica certo que o tratamento que estão levando na Bolívia dos direitos humanos não é adequado’, sustentou.

O líder da União Nacional (centro), o empresário Samuel Doria Medina, compartilhou essa opinião ao escrever em sua conta do Twitter que ‘o Brasil, após profunda análise, confirma que o Governo do Presidente Morales persegue opositores’.

A senadora governista Sandra Soriano negou que Pinto seja um perseguido político e assegurou que a maioria dos processos contra si é por mau manejo de recursos do Estado e foi iniciada antes de Morales ser presidente.

‘O que estaria fazendo este país irmão é dar asilo político a alguém que tem contas pendentes com a justiça por dano econômico aos bolivianos’, assegurou à Efe.

Desde que Morales assumiu a Presidência pela primeira vez em 2006, dezenas de dirigentes da oposição fugiram da Bolívia e procuraram refúgio no Brasil, Paraguai, Estados Unidos, Peru e Espanha, entre outros, após acusar o Governo de perseguição política e argumentar que não terão um julgamento justo neste país.

Um dos casos mais famosos e recentes foi o do governador da região de Tarija (sul), o opositor Mario Cossío, que conseguiu asilo no Paraguai em 2011 depois que o Governo e seus aliados no legislativo regional o substituíram por causa de uma denúncia de corrupção que ele nega.

Também deixaram o país sete ex-ministros do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-1997 e 2002-2003), processados pela repressão que provocou mais de 60 mortes há nove anos.

Por esse caso, nos EUA estão refugiados ou residindo os ex-ministros Carlos Sánchez Berzaín, Jorge Berindoague e Guido Añez; e no Peru têm asilo Jorge Torres Obleas, Mirtha Quevedo e Javier Torrez Goitia.

Mais de meia centena de cidadãos bolivianos vivem no Brasil na qualidade de refugiados desde setembro de 2008, quando ocorreu um massacre de camponeses em Pando, no marco de um conflito entre os líderes autonomistas do leste e o Governo.

O vice-presidente Álvaro García Linera negou na semana passada que na Bolívia haja presos ou perseguidos políticos.

Sustentou que ‘é obrigação’ de um cidadão acusado de algum delito ‘defender-se perante a justiça’, embora tenha lamentado que ‘muitos culpados prefiram fugir’. EFE