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Boliviano com ligações terroristas é preso enquanto tentava vir ao Brasil

Montevidéu, 25 abr (EFE).- O boliviano Alejandro Melgar, acusado de cumplicidade com um suposto grupo terrorista que queria assassinar o presidente Evo Morales, foi preso no aeroporto de Montevidéu quando se dirigia ao Brasil, em cumprimento de uma ordem de captura internacional.

‘Está em detenção administrativa, aguardando a documentação pertinente para a extradição, após ser detido nas últimas horas no Aeroporto Internacional de Carrasco quando se dirigia ao Brasil’, indicou uma fonte da Interpol Uruguai.

A fonte preferiu não se aprofundar mais na informação porque o caso estava nas preliminares e os outros detalhes são reservados até que o juiz divulgue.

O Uruguai, através do Mercosul, bloco econômico que forma também com Argentina, Brasil e Paraguai, possui desde 1998 um acordo de extradição com a Bolívia, que deveria ser aplicado neste caso.

Uma fonte judicial afirmou à Agência Efe que o juiz uruguaio responsável pela causa tem que informar a Justiça boliviana através das chancelarias dos países, para que ela formalize o pedido de extradição.

Depois, para conceder a extradição é preciso fazer um julgamento e a sentença é apelável perante um tribunal, e inclusive perante a Suprema Corte de Justiça, por isso que o processo pode demorar até cerca de três anos.

Em média, no Uruguai um julgamento de primeira instância demora um ano e quatro meses, a apelação entre seis e oito, e a cassação um período similar.

Melgar, que trabalhou para instituições empresariais do departamento boliviano de Santa Cruz, é acusado de apoiar um grupo de supostos terroristas que morreram em uma operação policial nessa região opositora ao presidente Evo Morales.

Na operação morreram os supostos mercenários Eduardo Rozsa Flores (boliviano com cidadania húngara e croata), Arpad Magyarosi (romeno de origem húngara) e Michel Martin Dwyer (irlandês) e foram presos o húngaro Elod Tóásó e Mario Tadic (boliviano com passaporte croata).

Os cinco supostamente faziam parte de um grupo que, segundo as autoridades bolivianas, pretendia assassinar o presidente Evo Morales e formar milícias de Defesa Civil em Santa Cruz para declarar sua independência.

Além de Melgar, as autoridades bolivianas procuram também Hugo Antonio Achá, que no passado foi executivo da Human Rights Foundation (HRF) na Bolívia.

Os dois foram citados em 2009 em um relatório do Parlamento da Bolívia aprovado com votos governistas como corresponsáveis do grupo que pagou hotéis, alimentação e apoio logístico aos supostos terroristas. EFE