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Bolívia: polícia reprime marcha de indígenas contra estrada

Por Aizar Raldes 25 set 2011, 21h27

A polícia boliviana dispersou neste domingo, com bombas de gás lacrimogêneo, a marcha de indígenas que seguia em direção a La Paz para rejeitar a construção da estrada que atravessa o Parque Nacional Isiboro Sécure, constatou a AFP.

A operação ocorreu em Yucumo, a qual os nativos haviam chegado no sábado, após romper o cerco policial montado no acesso à localidade.

Os indígenas foram retirados das barracas que ocupavam e, colocados à força em ônibus que seguiram para San Borja, 55 km de Yucumo. Segundo algumas fontes, os principais dirigentes da marcha estão detidos.

A equipe da AFP observou que alguns indígenas apresentavam cortes na cabeça enquanto eram colocados nos ônibus pelos policiais.

A polícia também dispersou o bloqueio levantado por partidários do presidente Evo Morales na estrada para Yucumo, 320 km de La Paz.

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A marcha indígena havia chegado a Yucumo após utilizar o chanceler boliviano, David Choquehuanca, como escudo humano para romper o bloqueio policial no sábado.

Choquehuanca tentava reiniciar negociações com os indígenas contrários à construção de estrada sobre a reserva ecológica, e foi obrigado a marchar por quatro horas com os nativos, após confrontos com a polícia que terminaram com um oficial ferido.

Antes da ação policial deste domingo, o presidente Evo Morales anunciou no povoado de San Antonio – onde se reuniu com os 16 povos nativos do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS) – a convocação de um referendo nos departamentos de Beni e Cochabamba sobre a construção da estrada Villa Tunari-San Ignacio de Moxos.

Morales também garantiu a promulgação da lei contra a ocupação de terras no TIPNIS e afirmou que vai retirar os colonos de assentamentos ilegais.

A estrada em questão é parte da rodovia que unirá os oceanos Pacífico e Atlântico e promoverá o comércio na América do Sul. O projeto é financiado pelo Brasil, com custo total de 415 milhões de dólares.

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