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Blogueira Yoani Sánchez é solta após 30 horas de detenção

Dissidente foi presa ao tentar cobrir o julgamento do político espanhol Angel Carromero, acusado pelo regime pela morte de dois opositores em um acidente

A blogueira cubana Yoani Sánchez e seu marido, Reynaldo Escobar, foram libertados nesta sexta-feira, após ficarem 30 horas em detenção por tentarem cobrir em Bayamo, leste de Cuba, o julgamento do político espanhol Angel Carromero. A própria dissidente informou em sua conta no Twitter sobre o fim da detenção. “Acabamos de ser libertados! Foram 30 horas de prisão e muitas histórias que contar”, escreveu Yoani.

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A blogueira e seu marido foram detidos na noite de quinta-feira ao viajar para Bayamo para cobrir o julgamento de Carromero, acusado de homicídio involuntário no acidente de carro que matou os dissidentes Oswaldo Payá e Harold Cepero, em julho. Segundo a imprensa oficial do regime cubano, Yoani viajava como “correspondente ilegal” do jornal espanhol El País.

“Durante a detenção me recusei a comer e a beber qualquer líquido. O primeiro copo de água que tomei ao chegar em casa foi como fogo no esôfago”, relatou a opositora de 37 anos. “Obrigado a todos que levantaram sua voz e enviaram tweets para que pudéssemos voltar para casa.”

As prisões de Yoani e Escobar, no entanto, não foram as únicas. Segundo o ativista Elizardo Sánchez, ao menos oito dissidentes foram detidos em Bayamo durante o julgamento de Carromero. Na quinta-feira, o dissidente Guillermo Fariñas também foi preso, junto com outros 21 opositores ao regime cubano do ditador Raúl Castro, ao tentar organizar uma reunião politica na cidade de Santa Clara.

Julgamento – Carromero, de 27 anos e dirigente de Novas Gerações do Partido Popular, dirigia o veículo alugado que, em 22 de julho, bateu em uma árvore perto de Bayamo. No carro estavam Payá e o também opositor Harold Cepero, ambos mortos no acidente, além do político sueco Jens Aron Modig, 27 anos, que retornou a seu país após a investigação policial. As autoridades cubanas afirmam que o acidente foi provocado por excesso de velocidade em uma área da estrada que passava por reparos. A Promotoria pede uma pena de sete anos para Carromero.

A família de Payá, no entanto, se nega a apresentar queixas contra Carromero, rejeita as conclusões periciais da polícia cubana e solicita uma investigação imparcial do acidente com a participação de especialistas internacionais.

(Com agência France-Presse)