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Biden pressiona republicanos por reforma eleitoral profunda

Dois projetos de lei que preveem facilitação no processo de votação estão travados no Senado por conta dos republicanos

Por Matheus Deccache Atualizado em 12 jan 2022, 14h48 - Publicado em 12 jan 2022, 14h16

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, defendeu uma reforma das leis eleitorais do país, numa tentativa de acabar com legislações estaduais que, segundo especialistas, vêm dificultando a votação de minorias. 

Acompanhado de sua vice, Kamala Harris, Biden utilizou linguagem mais assertiva para defender as mudanças. 

A mudança indica que ele pode mudar a estratégia adotada em 2021, quando mantinha um tom mais conciliador para resolver embates com o Partido Republicano. 

“É um problema ter muitas pessoas votando para os republicanos da Geórgia. Eles querem que a vontade dos eleitores seja uma mera sugestão. Tenho tido conversas fechadas com congressistas nos últimos dois meses. Mas cansei de ficar quieto”, disse em tom agressivo.

O presidente americano defende a aprovação de duas novas leis que ampliam o acesso ao voto.

A primeira delas é a Lei de Liberdade para Votar, que prevê uma padronização dos procedimentos eleitorais como registro, voto pelo correio e controle de doações a campanhas eleitorais. Atualmente, cada estado tem sua própria regra.

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A segunda, chamada de Lei John Lewis, tem como objetivo facilitar o acesso de minorias como negros, hispânicos e latinos, com punições para estados e governos que continuarem a dificultar os novos processos.

Os projetos, no entanto, seguem bloqueados pelos republicanos no Senado, que exige no mínimo 60 votos para ser levado adiante. 

“Apoio a mudança das regras do Senado, de qualquer forma que precisem ser alteradas, para impedir que uma minoria de senadores bloqueie ações sobre direitos de voto. Que prevaleça a maioria”, disse Biden. “E se esse mínimo for bloqueado, não temos opção a não ser mudar as regras do Senado, incluindo livrar-se da obstrução por isso.”

O discurso ganhou apoio de uma coalizão de ativistas que anteriormente haviam optado por não participar do evento. 

Em mais um sinal de sua mudança de tom, Biden aproveitou ainda para dizer novamente que a invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2020, foi estimulada por um “ex-presidente derrotado”.

Na semana passada, quando o ato completou um ano, o presidente já havia acusado Donald Trump de ser uma contínua ameaça à democracia. 

“Precisamos ser absolutamente claros sobre o que é verdade e o que é uma mentira. Aqui está a verdade: um ex-presidente dos Estados Unidos da América criou uma rede de mentiras sobre a eleição de 2020. Ele fez isso porque valoriza o poder acima dos princípios”, disse.

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