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Berlusconi faz gesto conciliatório em direção aos dissidentes

Sinais de uma possível trégua entre o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e rebeldes no interior de sua coalizão surgiram nesta quinta-feira, quando o líder conservador elogiou a “postura construtiva” de alguns dissidentes.

As declarações de Berlusconi foram interpretadas como um gesto de conciliação pelos partidários de Gianfranco Fini, o presidente da Câmara dos Deputados, que no mês passado se afastou dramaticamente de seu aliado de longa data e criou um grupo separado no Parlamento. A ruptura gerou a perspectiva de serem convocadas eleições antecipadas, a menos que os dois lados consigam voltar a se entender. Sem o grupo de Fini, Berlusconi não conta com maioria garantida no Parlamento.

O presidente italiano disse nesta quarta-feira que alguns membros do novo grupo de Fini manifestaram uma postura construtiva e que, se isso continuar, “certamente será possível restaurar a unidade, cuja ausência só poderá levar a escolhas dolorosas e definitivas”.

Daniele Capezzone, o porta-voz do Partido Povo da Liberdade, de Berlusconi, disse nesta quinta-feira que as declarações do primeiro-ministro são “uma oferta feita aos membros mais razoáveis” do campo de Fini e que pode representar uma “última oportunidade”.

Um dos partidários mais leais de Fini, Italo Bocchino, respondeu que seu grupo está disposto a cooperar com o governo, mas exigiu o fim do que descreveu como campanha movida contra Fini pela imprensa aliada a Berlusconi.

Conciliação – Em contraste com as farpas cada vez mais ásperas trocadas nas últimas semanas, os dois lados parecem ter falado em um tom mais conciliador. Alguns comentaristas de jornais, entretanto, disseram que a tática de Berlusconi é de tentar dividir seus rivais e atrair pelo menos alguns dos dissidentes de volta para o seu lado.

O verdadeiro teste de qualquer degelo possível entre os dois lados provavelmente se dará em setembro, quando Berlusconi pretende convocar um voto de confiança na plataforma de quatro pontos. Seus aliados disseram que, se ele não conseguir apoio parlamentar suficiente para a plataforma, Berlusconi irá renunciar.

No caso de renúncia de um governo, cabe ao presidente dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Mas a Constituição requer que ele primeiro procure identificar uma nova maioria que possa apoiar um governo interino até as eleições previstas para 2013.

(Com agência Reuters)