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Bahrein condena 139 pessoas por “ameaça terrorista”

Organizações de direitos humanos acusam a monarquia de valer-se da Justiça para reprimir e revogar a cidadania de ativistas políticos

A Justiça do Bahrein condenou 139 pessoas a prisão por ofensas relacionadas a “ameaça terrorista” nesta terça-feira, 16, no maior julgamento da história do país. Entre os condenados, 69 deverão cumprir prisão perpétua e outros 138 tiveram suas cidadanias revogadas.

Os réus foram acusados de fazer parte de uma célula terrorista chamada Bahrein Hezbollah, similar ao grupo xiita libanês financiado pelos iranianos, para semear a discórdia no país. Acredita-se que a maioria dos condenados seja xiita. Ao todo, trinta réus foram absolvidos, mas outros 58 foram julgados à revelia, ou seja, não compareceram ao tribunal ou não apresentaram defesa.

Alguns foram treinados no Irã, no Líbano e no Iraque, “a pedido de líderes do regime iraniano que ordenaram que a Guarda Revolucionária se juntasse aos indivíduos terroristas do Bahrein para realizar suas conspirações e atos de terrorismo”, afirmou o procurador Ahmad al-Hammadi.

Os condenados foram considerados culpados por usar armas e explosivos ilegais, detonar bombas em tentativas de assassinato, entre outros crimes.

O Bahrein, dirigido por uma monarquia absoluta sunita, enfrentou várias crises desde 2011, quando as forças de segurança reprimiram protestos da maioria xiita, que pedia uma monarquia constitucional e um primeiro-ministro procedente da maioria parlamentar.

Desde então, vários opositores foram julgados. Há centenas deles na prisão. Grupos de defesa dos direitos humanos acusam o governo do Bahrein de usar acusações por terrorismo para revogar a cidadania ou reprimir ativistas políticos.

Desde 2012, logo após os protestos da Primavera Árabe, 990 pessoas tiveram sua cidadania revogada pelo governo – 180 delas apenas em 2019.

Em fevereiro, 167 pessoas que foram condenadas a até dez anos de prisão por participarem de um protesto organizado por um líder religioso xiita em 2017. Em maio passado, 115 pessoas tiveram sua cidadania retirada pelo governo após um único julgamento.

Em setembro passado, 169 pessoas já haviam sido condenadas por fazer parte do Bahrein Hezbollah.