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Bachelet promove mudanças em postos chave do governo

Homens de confiança, como os ministros da Fazenda e do Interior, deixaram os cargos. Com popularidade em queda, presidente faz mudanças para tentar recuperar confiança dos chilenos

Por Da Redação 11 Maio 2015, 19h32

A mudança na equipe de governo na última semana pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, envolveu alterações em nove dos 23 ministérios, e incluiu a saída de dois homens de confiança da mandatária. Bachelet demitiu o ministro da Fazenda, Alberto Arenas, e o ministro do Interior, Rodrigo Peñailillo.

Os dois estiveram ao lado de Bachelet desde os tempos em que ela foi diretora da ONU Mulheres, em Nova York, entre setembro de 2010 e março de 2013. Arquitetaram sua volta ao Chile, trabalharam no programa de governo e na segunda campanha presidencial. Neste primeiro ano do segundo mandato, tiveram em suas mãos algumas das principais reformas promovidas pelo Executivo, como a tributária.

Para o lugar de Arenas, ela nomeou Rodrigo Valdés, do Partido pela Democracia e que até hoje exercia o cargo de presidente do Banco do Estado. Quem substituirá Peñailillo é Jorge Burgos, democrata-cristão com ampla trajetória no Executivo e também no Legislativo, e que foi deslocado da pasta da Defesa.

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“Com essas mudanças chave e os perfis dos substitutos da dupla Peñailillo e Arenas, pode-se notar que, nesta refundação de seu governo, Bachelet quis inserir uma tendência à negociação e ao diálogo”, observa o jornal El País. De fato, a presidente passa por um momento delicado, vendo sua popularidade despencar em meio ao escândalo envolvendo seu filho, Sebastián Dávalos, acusado de usar sua posição no governo para obter um empréstimo milionário – ele acabou renunciando. O caso abalou a confiança dos chilenos na presidente, que resolveu mudar sua equipe para tentar reverter a situação.

Burgos foi deputado e é tido como um político experiente, especialista em negociações complexas. Váldes, que foi vice-diretor do FMI e coordenador de política econômica no Ministério da Fazenda no início dos anos 2000, é um interlocutor respeitado no mundo empresarial, setor no qual Arenas enfrentou problemas.

Na cerimônia de posse dos novos ministros, a presidente destacou que este é o momento para dar “um novo impulso” no governo. “Nesta nova fase tão exigente como inspiradora, é necessário colocar energia renovada e novos rostos à frente das tarefas com que nos comprometemos e que os cidadãos exigem”, acrescentou, segundo o El País.

Outras mudanças – Para o cargo de porta-voz do governo, a presidente nomeou Marcelo Díaz, do Partido Socialista, atual embaixador do Chile na Argentina. Para a Secretaria Geral da Presidência, que controla a agenda legislativa do governo e todo o contato com os parlamentares, o escolhido foi o deputado do PPD Jorge Insunza. Ele entra no lugar da democrata-cristã Ximena Rincón, que vai comandar o Ministério do Trabalho.

José Antonio Gómez, do Partido Radical, foi do Ministério da Justiça para o da Defesa. A independente Javiera Blanco foi do Trabalho para a Justiça. O Ministério da Cultura passará para as mãos de Ernesto Ottone Ramírez e o de Desenvolvimento Social será comandado por Marcos Barraza. Com essas duas nomeações, aumenta o número de integrantes do Partido Comunista no gabinete, legenda que até o ano passado não havia feito parte do governo desde a Unidad Popular de Salvador Allende.

(Da redação)

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