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Ativista chinês embarca com a família para os EUA

Chen Guangcheng foi rumo a Nova York em voo da United Airlines

O dissidente cego chinês Chen Guangcheng embarcou com sua família na manhã deste sábado rumo ao Estados Unidos. O ativista protagonizou uma crise diplomática entre Washington e Pequim quando escapou da prisão domiciliar no final de abril e passou seis dias na embaixada americana. Chen embarcou para Nova York em um voo da companhia United Airlines às 17h47 locais (6h47 de Brasília), quase quatro horas depois do previsto, de acordo com fontes aeroportuárias consultadas pela Agência EFE.

O ativista aguardou o voo na área VIP do aeroporto ao lado de sua mulher, Luane Weijing; seus dois filhos e representates oficiais americanos. Durante a espera, jornalistas do ‘South China Morning Post’ falaram com o dissidente pelo telefone. “Estou no aeroporto. Não tenho passaporte. Não sei quando sairei”, disse Chen.

Os Estados Unidos já se pronunciaram sobre o caso. “Fomos informados sobre o fato de Chen, sua esposa e seus dois filhos estarem prestes a viajar para os Estados Unidos. Saudamos esta evolução e que ele possa estudar aqui”, afirmou um conselheiro adjunto de segurança nacional do presidente Barack Obama, Ben Rhodes, durante uma entrevista coletiva à imprensa à margem do G8 em Camp David.

O dissidente é aguardado para este sábado à noite em Nova York. Seu voo deve chegar por volta das 18h00 locais (21h00 de Brasília) ao aeroporto de Newark.

Denúncias – Um dos mais famosos e respeitados dissidentes chineses, Chen acabou provocando uma tensão diplomática que ameaçou afetar as relações economicas entre Pequim e Washington. Como saída para a crise, o ativista defensor dos direitos humanos foi autorizado pelo governo chinês a estudar nos EUA. O governo americano, por sua vez, afirmou que já tomou todas as providências necessárias para admitir Chen no país – ele recebeu um convite para estudar na Universidade de Nova York.

Chen Guangcheng, de 41 anos e cego desde os cinco, ficou conhecido na década de 1990 por denunciar abortos e esterilizações forçadas em sua província como parte da “política do filho único” do governo de Pequim. Em 2006, a revista americana Time o nomeou uma das pessoas mais influentes do mundo e, em 2007, concedeu a ele o prêmio Magsaysay, conhecido como o Nobel Asiático.

Em dezembro de 2010, Chen terminou de cumprir uma condenação por causar distúrbios e atrapalhar o trânsito, mas foi submetido junto com sua família à prisão domiciliar. Depois de quase um ano e meio, ele fugiu do cárcere privado em 22 de abril e se refugiou na embaixada dos Estados Unidos em Pequim, até ser conduzido a um hospital da capital chinesa, onde permaneceu sob custódia.

(Com Agência EFE)