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Atentado em Damasco atinge cúpula de segurança do regime sírio

Por Da Redação - 18 jul 2012, 18h41

O ministro sírio da Defesa morreu nesta quarta-feira juntamente com seu vice-ministro e com o chefe da luta contra a rebelião, em um atentado a bomba em Damasco, que atingiu em cheio a cúpula de segurança do presidente Bashar al-Assad, em meio a combates que deixaram cerca de 100 pessoas mortas, de acordo com ativistas.

As mortes do ministro da Defesa, Daoud Rajha, e de seu vice-ministro, Assef Shawkat, cunhado de Assad, foram anunciadas pela televisão estatal, que também confirmou a do chefe da célula de crise, Hassan Turkmeni, comunicada anteriormente pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), ONG com sede em Londres.

O atentado foi reivindicado pelo Exército Sírio Livre (ESL), formado por desertores e civis armados.

“O comando do ESL na Síria anuncia o êxito da estupenda operação desta manhã contra a sede da Segurança Nacional em Damasco que matou vários pilares do grupo de Assad, responsáveis por massacres bárbaros”, afirmou o ESL em um comunicado enviado à AFP.

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As vítimas são os primeiros altos dirigentes do regime sírio a morrerem desde o começo da revolta contra o regime Assad, em março de 2011.

Segundo o canal, o atentado ocorreu durante uma reunião de ministros e dirigentes da segurança. O alvo do atentado foi o ultraprotegido prédio da Segurança Nacional, símbolo da repressão, localizado no bairro de Rawda, centro da capital.

A explosão foi causada por um terrorista suicida – aparentemente um segurança de um dos dirigentes presentes na reunião – munido de um cinturão de explosivos e foi registrada poucas horas antes de uma votação no Conselho de Segurança da ONU sobre uma resolução que ameaça a Síria com novas sanções.

Fontes da segurança afirmaram à AFP que vários feridos, entre os quais o ministro do Interior, Mohamed Ibrahim al-Shaar, foram levados para o hospital Al-Shami na capital.

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Logo após o anúncio das mortes dos militares, a TV síria informou que Assad havia nomeado o chefe do Estado-Maior, Fahd al-Freij, como novo ministro da Defesa para substituir o general Daoud Rajha.

A TV indicou ainda que o Exército emitiu um comunicado em que afirma que o regime sírio continua determinado a “limpar o país dos terroristas”.

“Este ato terrorista reforça a determinação de nossas forças armadas em limpar a pátria do restante dos grupos terroristas”, afirmou o Exército. “Os que acreditavam que, tomando alguns dirigentes como alvo, poderiam dobrar a Síria, se iludiram, porque o Exército, os líderes e o povo estão mais decididos do que nunca a enfrentar o terrorismo e a matar qualquer pessoa que atente contra a segurança da Síria”, acrescenta o comunicado.

“O Estado e todas as suas instituições estão sendo atacados. É uma guerra aberta contra todos os sírios”, comentou, por sua vez, o deputado Khaled al-Abbud. “Há elementos externos que atuam para a destruição do Estado sírio”, acrescentou, acusando os Estados Unidos e seus “instrumentos” no interior do país.

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Em função da situação, a votação no Conselho de Segurança da ONU da resolução sobre a Síria, que seria realizada nesta quarta-feira, foi adiada para o dia seguinte, como queria o enviado da ONU e da Liga Árabe Kofi Annan para se tentar chegar a um consenso com Moscou, que ameaça vetar o texto.

O projeto de resolução apresentado pelos europeus e americanos ameaça com sanções o regime sírio se Damasco continuar utilizando armas pesadas contra a oposição. Também renova por 45 dias o mandato da missão de 300 observadores da ONU na Síria, que expira na noite de sexta-feira.

A Rússia, principal aliada do regime de Assad, bloqueou todas as resoluções na ONU que condenavam a repressão. Nesta quarta, Moscou condenou o ‘atentado odioso’ que custou a vida das três autoridades sírias, muito ligadas a Moscou, e disse esperar que os autores sejam identificados e castigados, segundo comunicado do ministério das Relações Exteriores.

Já a Casa Branca comentou que está nítido que o presidente Assad está perdendo o controle da Síria e destacou a necessidade urgente de uma transição política para evitar “uma lenta e sangrenta guerra civil”.

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Segundo o Kremlin, as divergências sobre os meios para pôr fim ao conflito na Síria persistem entre o presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega americano, Barack Obama, que nesta quarta-feira conversaram por telefone.

“Na conversa, houve concordâncias sobre a análise da situação na Síria e sobre a necessidade de uma solução. Mas, ao mesmo tempo, persistem as divergências sobre a maneira concreta de conseguir uma solução”, afirmou o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, citado pela agência.

Do lado árabe, os ministros das Relações Exteriores anunciaram que devem se reunir no domingo para analisar a situação na Síria.

Cerca de cem pessoas morreram nesta quarta-feira na Síria, incluindo 16 em Damasco, onde os combates chegaram a um nível de violência inédito.

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Segundo o OSDH, 46 civis, 43 soldados e 8 rebeldes perderam a vida nos episódios de violência em todo o país.

Na véspera, os rebeldes sírios lançaram a chamada “batalha pela libertação” de Damasco, onde violentos combates foram travados com a entrada em ação pela primeira vez dos helicópteros do Exército, intensificando ainda mais a violência, que deixou pelo menos 86 pessoas mortas em todo o país.

A periferia de Damasco é palco desde domingo à noite dos mais violentos combates desde o início da insurreição há mais de 16 meses.

Nesta quarta, as forças do regime bombardeavam a partir de helicópteros os bairros de Qaboun e Barzé, e os combates prosseguiam em outros bairros, segundo o OSDH e a União de Coordenadores da Revolução Síria (UCRS).

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Todos os acessos a Qaboun estão bloqueados por soldados e agentes de segurança e um carro blindado estava posicionado em uma rua vizinha. Um jornalista da AFP indicou que esse setor já havia sido “bombardeado na terça por helicópteros”.

As tropas regulares e os homens do ESL se enfrentavam nos bairros de Midan e Kafar Susé, no sul e oeste da cidade.

Várias colunas de fumaça eram vistas de diferentes pontos da capital.

Iniciada em março de 2011, a revolta popular, violentamente reprimida pelo regime, se transformou em um conflito armado entre soldados e rebeldes. Mais de 17.000 pessoas morreram no país em 16 meses, segundo o OSDH.

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