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Ataque aéreo russo na Síria atingiu oposição ao regime de Assad

A informação foi confirmada por um alto funcionário do governo americano. Na ONU, EUA, França e Grã-Bretanha rejeitaram proposta russa de fazer uma coalizão com Assad

Um alto funcionário do governo dos Estados Unidos disse que os ataques aéreos feitos pela Rússia na Síria não visaram atingir posições do Estado Islâmico (EI), mas sim grupos de oposição ao ditador Bashar Assad. O oficial disse que os jihadistas do EI não estão localizados no oeste do país, próximo a Homs, onde os ataques russos ocorreram. O funcionário conversou com a agência Associated Press em condição de anonimato.

Antes mesmo da declaração do funcionário americano, a oposição síria tinha informado no Twitter que tinha sido atingida e que pelo menos quinze pessoas tinham morrido. Os ataques aconteceram em al-Lataminah, Zaafrana, e Talbisah, áreas que abrigam edificações controladas por grupos extremistas como a Frente Nusra, e também posições do Exército Livre da Síria, que é apoiado pelo Ocidente. Washington tem equipado e treinado uma série de grupos rebeldes sírios moderados, mas a maioria foi esmagada por extremistas filiados à Al Qaeda e pelo EI.

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Durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, quando os participantes já sabiam do início dos bombardeios russos na Síria, o secretário de Estado dos EUA John Kerry afirmou que os ataques devem ser dirigidos contra os jihadistas do Estado Islâmico e outros grupos terroristas no país e não aos grupos de oposição que tentam derrubar o ditador Assad. “Não podemos confundir nossa luta contra o EI com o suporte a Assad”, disse Kerry.

A reunião do Conselho de Segurança foi convocada por Moscou para discutir a situação do Oriente Médio e o combate ao terrorismo. O debate evidenciou a divisão entre aliados da Rússia e dos EUA em relação à melhor estratégia para solucionar a crise na Síria. No encontro, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, defendeu a criação de uma ampla coalizão de combate ao terrorismo, com a participação de Assad e do Exército sírio.

Além dos EUA, a proposta foi rejeitada por França e Inglaterra. Os três países detêm poder de veto dentro do organismo ao lado de Rússia e China. O representante de Pequim se alinhou com a posição de Moscou ao defender uma solução política para a crise que abranja os interesses de “todas as partes” e se posicionar contra a intervenção externa “arbitrária” na região.

(Da redação)