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Assassinato de jovem por marido leva mulheres às ruas da Palestina

O assassinato de uma mãe de 30 anos pelo marido em Ramallah causou revolta na região

Por Ernesto Neves Atualizado em 29 nov 2021, 15h32 - Publicado em 29 nov 2021, 15h15

O assassinato de Sabreen Yasser Khweira, de 30 anos, pelo marido no último dia 22 vem desencadeando uma onda de protestos de mulheres sem precedentes na Palestina.

Mãe de quatro crianças, Sabreen foi encontrada morta por policiais dentro de sua casa, no vilarejo de Kufr Ni’ma, nos arredores de Ramallah.

Responsabilizado pelo crime, o marido, Amer Rabee, fugiu do local, mas foi preso no mesmo dia.

Ele também atacou a mãe de Sabreen, de 75 anos, que sofreu ferimentos graves e foi transferida para um hospital. Sua condição é estável.

O assassinato causou uma onda de repúdio entre os palestinos. De forte cultura machista, a Palestina concentra elevados índices de violência contra a mulher.

Foram organizadas marchas femininas nas principais cidades da região para protestar contra a cultura patriarcal e a inação de autoridades.

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Segundo estatísticas oficiais, este ano 20 mulheres foram mortas nos territórios palestinos vitimadas por violência doméstica, enquanto pelo menos 15 outras foram assassinadas em de Israel.

O crime aconteceu na mesma semana em que o mundo celebrava o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, em 25 de novembro.

Organizado pela ONU, a data foi marcada por uma série de eventos de conscientização, vários deles dentro do território palestino.

A família da jovem morta disse que o marido foi violento durante os 12 anos em que durou o casamento e que ela chegou a sair várias vezes de casa.

Numa das ocasiões, a jovem apresentou queixa à polícia após ser levar uma surra com chicote. 

“Ela estava gravemente ferida e tinha marcas por todo o corpo. Eu estava com ela quando registramos uma queixa na Unidade de Proteção à Família. Ele chegou a ser preso, mas ficou na cadeia apenas um mês”, afirmou um dos tios de Sabreen à imprensa local.

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