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Assange agora promete acelerar divulgação de documentos

Após ganhar liberdade condicional, ele diz sofrer uma ‘campanha difamatória’

“Agora que estou de volta para ajudar a guiar nosso navio, nosso trabalho será feito de maneira ainda mais rápida”

Depois de ganhar liberdade condicional, sob pagamento de fiança, o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, afirmou que vai acelerar a divulgação de documentos diplomáticos secretos dos Estados Unidos. Em entrevista à rede britânica BBC, Assange disse ainda que as tentativas de extraditá-lo para a Suécia por acusações de crimes sexuais são parte de uma “campanha difamatória”.

“Agora que estou de volta para ajudar a guiar nosso navio, nosso trabalho será feito de maneira ainda mais rápida. Mas como vimos em minha ausência, as coisas estão estabelecidas para prosseguir mesmo sem meu envolvimento direto”, disse o australiano. Ele garante que manterá sua palavra de não desaparecer antes da próxima audiência de seu processo de extradição.

“Fizemos tudo direitinho. Tentamos o mais duramente possível estabelecer uma situação na qual podemos limpar meu nome dessas alegações”, afirmou. Assange se entregou à polícia de Londres no último dia 7. O hacker, de 39 anos, era procurado após a Suécia repassar à Interpol uma ordem de prisão por coerção ilegal, abuso sexual e estupro, acusações negadas por ele.

Assange é o responsável pelo vazamento de 250.000 documentos diplomáticos dos Estados Unidos, que tornou públicas as impressões de Washington sobre diversos países. Por causa disso, o Departamento de Justiça dos EUA quer processar o fundador do WikiLeaks por conspiração. Procuradores investigam a hipótese de Assange ter estimulado o soldado americano Bradley Manning a entregar-lhe documentos militares secretos.

Essa versão teria como base um depoimento de Manning e as mensagens trocadas por ele com o ex-hacker Adrian Lamo, atualmente em poder do FBI. Assange poderá ser processado por conspiração com base na Lei de Espionagem, de 1917, e também responder por violação da Lei de Fraude e Abuso em Informática, de 1986. Os papéis entregues por Manning incluem tanto os arquivos do Departamento de Estado como os papéis sobre a Guerra do Afeganistão

Comunicação – De acordo com o jornal The New York Times, o esforço do Departamento de Justiça será provar que Assange não foi apenas um receptor passivo da documentação vazada pelo site. Um dos materiais em poder dos procuradores traz a transcrição de uma conversa on-line de Manning, na qual ele teria afirmado manter comunicação direta com Assange por meio de um serviço de conferência criptografado.

Manning teria declarado ainda contar com acesso ao servidor do WikiLeaks para despachar os arquivos com a documentação do Pentágono e da diplomacia americana. Até o momento, Manning é o principal suspeito dos quatro vazamentos de material secreto do governo americano. Mas, no caso da liberação dos 92.000 documentos sobre a Guerra do Afeganistão, em julho, o Pentágono acredita haver outros envolvidos.

(Com Agência Estado)