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Assad promete referendo e mão de ferro contra o terrorismo

Por - - 10 Jan 2012, 11h06

O presidente sírio Bashar al-Assad voltou a se defender das acusações de ter ordenado atirar contra seu próprio povo e prometeu uma reforma, com um referendo em março, mas acusou os estrangeiros de tentar desestabilizar seu país e prometeu combater o terrorismo com “mão de ferro”.

Em um discurso de 45 minutos transmitido pela televisão estatal nesta terça-feira, o presidente sírio, que enfrenta há meses uma rebelião popular, anunciou a organização de um referendo em março para mudar a atual Constituição, que confere um papel dominante ao partido Baath.

“Quando a comissão sobre a nova Constituição encerrar seus trabalhos, acontecerá um referendo na primeira semana de março”, afirmou Assad.

“E esta consulta poderá ser seguida por eleições gerais em maio, já com a nova Carta Magna em vigor”, completou.

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Antes de anunciar o referendo, Assad atacou as potências estrangeiras.

“Interesses regionais e internacionais que estão tentando desestabilizar a Síria não podem mais falsificar os fatos e os eventos”, afirmou Assad em um discurso exibido pela televisão síria.

“Nenhuma autoridade deu ordem alguma para abrir fogo contra os manifestantes. Governo com a vontade do povo e, se renunciar ao poder, também será pela vontade do povo”, completou.

Assad acusou fundamentalmente os meios de comunicação regionais e internacionais de “tentar incessantemente que a Síria caia”.

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“Apesar do fracasso, não se dão por vencidos”, acrescentou.

“Tentaram atingir o líder falsificando minha entrevista ao canal americano ABC”, completou.

No início de dezembro, o regime sírio acusou a emissora de ter alterado deliberadamente as declarações de Bashar al-Assad na exibição de uma entrevista com o presidente sírio, para apresentar o país sob um ângulo negativo.

No mesmo discurso, Assad prometeu usar “mão de ferro” para enfrentar o terrorismo, poucos dias depois de um atentado que matou 26 pessoas em Damasco, um ataque atribuído pela oposição ao próprio regime.

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“Não pode existir alívio para o terrorismo, o combateremos com mão de ferro. A batalha contra o terrorismo é uma batalha nacional, não uma batalha do governo”, concluiu o chefe de Estado.

“Não podemos tolerar aqueles que aterrorizar as pessoas, ou aqueles que são cúmplices com (partes) estrangeiras”, disse ainda.

“A batalha com o terrorismo é a nossa luta de todos, todos devem participar, mas um Estado forte é um Estado que sabe perdoar”, acrescentou.

Mas voltou a negar que tenha ordenado às forças de segurança agir com violência durante as manifestações contra seu governo.

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“Nenhuma ordem foi dada da parte de qualquer autoridade para abrir fogo contra os manifestantes”, afirmou Assad, enfatizando que, “segundo a lei, ninguém pode abrir fogo exceto em caso de autodefesa”.

“Eu governo com a vontade do povo e se eu renunciar ao poder, também será pela vontade do povo”, acrescentou al-Assad, que sucedeu seu pai em 2000.

Pouco antes, durante um discurso na Igreja de Santa Cruz de Damasco, transmitido pela televisão, o Grande Mufti da Síria, Sheikh Ahmad Badreddine Hassoune, convidou os adversários a “depor as armas” durante uma missa muçulmanos e cristãos em memória de 26 vítimas mortas na sexta-feira em um atentado suicida em Damasco.

“Se quiserem participar no poder apresentem seus programas, sem empunhar as armas, e, se nos convencerem, nós os aplicaremos”, afirmou o mufti, cujo filho, Sariah Hasun, foi morto em outubro passado numa onda de atentados contra os aliados do governo.

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O discurso de Assada acontece em plena controvérsia sobre a missão de observadores da Liga Árabe, presente na Síria desde 26 de dezembro para elaborar um relatório sobre a situação no país.

Apesar das críticas pela repressão que nos últimos dias continuou cobrando vítimas, esse organismo decidiu no domingo manter e reforçar sua missão.

Mas o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, denunciou nesta terça os atos de violência contra os osbservadores de sua organização, considerando que o regime Assad tem a responsabilidade de defender a delegação árabe.

“A Liga Árabe denuncia ações irresponsáveis e atos de violência contra seus observadores”, indicou Arabi em um comunicado.

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“A organização considera que o governo sírio é totalmente responsável pela proteção dos membros da missão de observadores da Liga. Alguns membros da missão foram vítimas de violentos ataques realizados por partidários do regime em Latakia e Deir Ezzor, e por indivíduos considerados membros da oposição em outras zonas do país”, afirma o texto.

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