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Argentina retira seu embaixador do Paraguai (chancelaria)

Por Ho - 23 jun 2012, 21h06

O governo argentino resolveu retirar seu embaixador do Paraguai, Rafael Romá, depois da destituição do ex-presidente Fernando Lugo, “pela ruptura da ordem democrática”, anunciou neste sábado a chancelaria em um comunicado à imprensa.

“Diante dos graves acontecimentos institucionais ocorridos na República do Paraguai, que culminaram com a destituição do presidente constitucional Fernando Lugo e a ruptura da ordem democrática, o governo argentino retira imediatamente seu embaixador de Assunção”, informou o Ministério das Relações Exteriores.

Em um breve comunicado, a chancelaria esclareceu que a representação diplomática argentina no Paraguai “ficará a cargo de um encarregado pelos negócios até que seja restabelecida a ordem democrática”.

Lugo foi destituído na sexta-feira em um julgamento político sumário de um dia, acusado pela Câmara dos Deputados de “mal desempenho de suas funções” e, em seu lugar, assumiu o vice-presidente, Federico Franco.

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Na noite de sexta-feira, a presidente argentina Cristina Kirchner qualificou a destituição de Lugo de “golpe de Estado” que considerou “inaceitável” e antecipou que Argentina “não reconhece” o novo governo paraguaio.

“É um ataque definitivo às instituições que fazem muito mal e que reedita situações que acreditávamos que tinham sido absolutamente superadas na América do Sul e na região em geral”, acrescentou a presidente diante de jornalistas na Casa Rosada.

Por sua vez, o embaixador do Paraguai na Argentina, Gabriel Enciso López, se juntou na noite de sexta-feira a integrantes da comunidade paraguaia em Buenos Aires que se concentraram no Obelisco portenho para repudiar a destituição de Lugo.

“Não vou continuar como embaixador”, disse López ao canal 26 de notícias de Buenos Aires ao defender que houve um “golpe institucional” em seu país.

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Legisladores argentinos analisavam convocar uma sessão especial para repudiar o ocorrido no país vizinho.

A destituição de Lugo é “um claro retrocesso no cumprimento efetivo das cláusulas democráticas que regem o Mercosul e a Unasul”, disse em um comunicado o grupo de deputados.

O opositor Mario Negri (UCR, social democrata), vice-presidente da Câmara de deputados, pediu ao governo que “promova uma sanção conjunta no Mercosul e na Unasul”.

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