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Aposentado grego se mata por causa da crise econômica

Centenas de pessoas saem às ruas para protestar contra o governo depois que a imprensa divulgou a notícia da morte do farmacêutico de 77 anos

Centenas de pessoas protestaram nesta quarta-feira contra o governo grego em função da morte de um farmacêutico aposentado de 77 anos que cometeu suicídio pela manhã em Atenas, a poucos metros do parlamento. Segundo informações do jornal espanhol El País, um bilhete encontrado em seu bolso atribuía sua decisão às graves consequências que sofrera em razão da crise europeia.

“Sou aposentado. Não posso viver nestas condições. Me nego a buscar comida no lixo. Por isto decidi por fim à minha vida”, declarou na mensagem. Afogado em dívidas, o homem se matou com um tiro em praça pública, em um horário de grande movimento na capital grega.

Os protestantes veem, na atitude desesperada do aposentado, um sombrio espelho da onda de humilhação que assola a população grega desde o início da crise e das medidas de austeridade impostas pelo governo. “As pessoas estão passando fome”, dizia uma mulher também aposentada. “Conheço famílias que não têm dinheiro sequer para comprar leite para seus filhos”.

Tabu – Dados do Ministério da Saúde da Grécia evidenciam um aumento de 40% no número de suicídios no país desde o início da crise. A nota do suicida responsabilizava o governo por “aniquilar qualquer esperança de sobrevivência” com as duras medidas de ajuste econômico.

Apesar da estatística gritante, o suicídio continua sendo um tabu na Grécia, de modo que a mídia segue noticiando a morte de “pequenos empresários arruinados” que faleceram de “maneira misteriosa”, como caindo da janela de um prédio ou em um “infeliz acidente” envolvendo overdose ou hemorragia.

Desde o começo de 2010, a pensão dos aposentados gregos teve um corte de 15%, sendo que aquelas superiores a 1.200 euros tiveram um corte adicional de 20%. “Não quero deixa dívidas a meus filhos”, teriam sido as últimas palavras do homem.