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Após ataque de Israel, palestinos disparam 100 foguetes

Onda de violência foi desencadeada pela eliminação de um líder radical palestino, atingido por um ataque aéreo israelense

Por Da Redação - 10 mar 2012, 12h39

Nova onda de violência, marcada pela morte de 15 palestinos em Gaza e pelo disparo de cerca de 100 foguetes em direção a Israel, foi desencadeada pela eliminação do chefe de um grupo radical palestino, atingido nesta sexta-feira por um ataque aéreo israelense.

Três palestinos que circulavam de moto foram mortos neste sábado em dois novos ataques aéreos israelenses no sul da Faixa de Gaza, região onde fica a cidade homônima. A ação elevou para 15 o número de mortos no território palestino desde a tarde desta sexta-feira, segundo fontes médicas locais. Foram as 24 horas mais violentas em Gaza desde a ofensiva israelense “Chumbo Grosso” durante o inverno 2008-2009.

De acordo com o Exército israelense, os palestinos estão revidando. Em 24 horas, mais de 90 foguetes e obuses caíram em território israelense, disparados a partir da Palestina. Pelo menos quatro pessoas – três trabalhadores agrícolas tailandeses, conforme a imprensa local – ficaram feridas por projéteis na região de Eshkol, segundo os serviços de segurança israelenses.

Em represália, a aviação de Israel lançou ataques contra o que dizem ser alvos terroristas. Segundo um comunicado militar, o sistema de defesa antimísseis Iron Dome (Cúpula de Ferro) interceptou dez foguetes Grad lançados sobre as cidades de Beersheva, Ashdod e Ashkelon, localizadas no sul do país. As autoridades pediram à população local que ficasse próxima a abrigos. As partidas de futebol foram canceladas neste sábado no sul.

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A União Europeia manifestou sua preocupação e incitou todas as partes a “evitar a escalada” e a “restabelecer a calma”.

Violência – A onda de violência ocorre após a eliminação do secretário-geral dos Comitês de Resistência Popular (CRP), Zuheir al-Qaissi, e de um outro alto membro da organização, Mahmud Hanani. Ambos foram mortos na sexta-feira à tarde por um ataque israelense no oeste da Cidade de Gaza. Dez membros das Brigadas Al-Qods, braço armado de um outro movimento radical, a Jihad Islâmica, foram mortos em ataques aéreos. A organização afirma que os dez foram mortos no centro da Cidade de Gaza.

Milhares de moradores de Gaza assistiram aos funerais neste sábado e pretendem vingar as mortes, principalmente na cidade de Rafah, reduto dos CRP. Quatro pessoas ficaram feridas por tiros disparados por policiais israelenses durante as cerimônias em um cemitério no leste da Cidade de Gaza, próximo à fronteira com Israel, de acordo com fontes de segurança locais.

Os CRP, as Brigadas de Mártires de Al-Aqsa – grupo ligado ao movimento Fatah do presidente Mahmud Abbas – e as Brigadas Al-Qods da Jihad Islâmica reivindicaram a maioria dos disparos contra Israel na sexta-feira. O braço armado dos CRP, as Brigadas Al-Nasser Salaheddine, ameaçou Israel com uma “resposta-relâmpago” após a morte de seu líder.

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O Exército israelense afirmou que os CRP preparavam um ataque terrorista que deveria ser cometido nos próximos dias: “A equipe fazia parte da infraestrutura terrorista utilizada para lançar ataques pela Península do Sinai e pela fronteira entre Israel e Egito”.

Em 18 de agosto, homens armados passaram pela fronteira entre Israel e Egito e efetuaram vários ataques no deserto israelense de Neguev. Oito israelenses foram mortos, incluindo um soldado e um policial, e o Estado hebreu atribuiu os ataques aos CRP, que negaram.

O Hamas, que controla Gaza, impõe uma trégua com Israel, mas os combatentes de outros movimentos ainda disparam foguetes. Em um comunicado, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, disse que os acontecimentos recentes eram uma perigosa escalada sem a menor justificativa. “O Hamas reafirma o direito de nosso povo à resistência e a se defender frente a esta agressão israelense”, ressaltou.

O secretário-geral anterior dos CRP, Kamal al-Nayrab, e um chefe de seu braço armado foram mortos em 19 de agosto em um ataque israelense em Rafah – seu bastião no sul da Faixa de Gaza, perto da fronteira com o Egito.

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(com Agence France-Presse)

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