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Anistia Internacional critica o governo dos militares egípcios

ONG iguala abusos atuais aos cometidos durante a ditadura de Hosni Mubarak

A Anistia Internacional (AI) acusa os militares que conduzem o governo de transição do Egito de não terem cumprido as promessas de melhorar a situação dos direitos humanos no país e de serem responsáveis por abusos que, em alguns casos, superam os da era do ditador Hosni Mubarak.

Em comunicado divulgado em Londres, a organização critica o que classifica como ‘lamentável desempenho’ do Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o poder no Egito com a revolução de 25 de janeiro, que acabou com o regime de Mubarak após quase três décadas de ditadura.

A nota da AI é divulgada após os violentos incidentes registrados no Cairo, onde pelo menos 14 pessoas morreram nos confrontos na praça Tahrir nas últimas 24 horas.

O diretor interino da AI para o Oriente Médio e Norte da África, Philip Luther, assinala que o conselho se usou de repressão ao utilizar tribunais militares para julgar milhares de civis, algo que contraria o que os cidadãos egípcios tanto lutaram durante as manifestações populares de janeiro.

“Os que desafiaram ou criticaram o conselho militar, como manifestantes, jornalistas, blogueiros e trabalhadores em greve, foram reprimidos de maneira impiedosa com a tentativa de silenciar suas opiniões”, destaca Luther.

“A resposta brutal e de mão de ferro diante dos protestos dos últimos dias levam toda a marca da era Mubarak”, ressalta a AI.

A ONG considera simbólico o caso do blogueiro Maikel Nabil Sanad, condenado a três anos de prisão em abril passado por questionar o serviço militar.

Depois que Sanai começou uma greve de fome em agosto, as autoridades penitenciárias lhe negaram o acesso a medicamentos necessários para que tratasse de um problema cardíaco.

A AI acusa as forças de segurança de terem abafado de maneira violenta as manifestações dos últimos dias e pede às autoridades egípcias que restabeleçam a confiança nas instituições através de uma investigação das violações dos direitos humanos e suspendam o estado de exceção atualmente em vigor.

(com Agência EFE)