Clique e assine a partir de 9,90/mês

Alemanha quer cortar recursos de países que se recusam a receber refugiados

Países ex-comunistas da parte central da Europa ainda rejeitam as cotas obrigatórias. Estas nações são justamente as que mais recebem ajuda financeira da União Europeia

Por Da Redação - 15 set 2015, 09h01

Diante da resistência de alguns países em conceder asilo, o ministro de Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, afirmou nesta terça que é necessário começar a discutir “medidas de pressão” contra nações que se negam a participar da distribuição equitativa de refugiados dentro da União Europeia (UE). “Para estes países, não acontece nada, os refugiados simplesmente passam ao largo deles”, disse. Ele concordou com a proposta do presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker, que se referiu à possibilidade de responder a estes países com um corte dos recursos vindos dos fundos estruturais comunitários.

Maizière lembrou que os países que rejeitam a distribuição equitativa de refugiados são exatamente os que recebem grandes quantias dos fundos estruturais de de ajuda financeira da UE. A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que está “profundamente desapontada” com a falha dos ministros da União Europeia em chegar a um consenso sobre um plano de compartilhamento na relocação de 120.000 refugiados.

Leia também

Crise migratória põe em xeque a Europa sem fronteiras

Diante da crise, Alemanha restabelece controles na fronteira

Alemanha diz que refugiados não podem escolher onde morar

Continua após a publicidade

A maioria dos ministros do Interior da União Europeia, em encontro em Bruxelas na segunda-feira, chegou a um acordo inicial para compartilhar 120.000 pessoas que buscaram asilo, além de 40.000 distribuídas em uma base voluntária até o momento. Mas detalhes do acordo, que será formalizado em 8 de outubro, foram vagos, e diversos países ex-comunistas da parte central da Europa rejeitam as cotas obrigatórias. No total, 464.876 imigrantes cruzaram o Mediterrâneo o momento neste ano.

Hungria X Sérvia – A crise dos refugiados também está reativando antigas disputas geopolíticas entre os vizinhos Hungria e Sérvia. O ministro do Trabalho sérvio, Aleksandar Vulin advertiu nesta terça que seu país não aceitará os refugiados que a Hungria tentar devolver “à força”. “Eles (os refugiados) estão no território da Hungria e esperamos que o Estado húngaro os trate como é devido”, disse.

Leia mais

Saiba o tamanho do problema dos refugiados

As autoridades húngaras informaram que devolveriam os solicitantes de asilo que tenham passado antes pela Sérvia. À meia-noite de hoje (19h de segunda-feira em Brasília) entrou em vigor na Hungria uma nova legislação que pune com prisão o cruzamento ilegal da fronteira. Poucas horas antes, Budapeste terminou de instalar uma cerca ao longo dos 175 quilômetros de fronteira com a Sérvia para impedir a entrada dos milhares de refugiados, a maioria vindos de países em conflito no Oriente Médio, que há semanas tentam chegar à Europa ocidental pela rota dos Balcãs, pela qual atravessam Turquia, Grécia, Macedônia e Sérvia.

(Da redação)

Continua após a publicidade
Publicidade