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Agressões sexuais e roubos em série no réveillon chocam a Alemanha

Até esta terça-feira de manhã a polícia registrou 90 denúncias de assédio, roubo e pelo menos uma de estupro na cidade de Colônia. Caso eleva temperatura dos debates sobre imigração

Por Da Redação - 5 Jan 2016, 21h32

Agressões sexuais e roubos em série na noite de ano novo em Colônia, oeste da Alemanha, atribuídas a “jovens aparentemente de origem árabe”, chocaram o país e elevaram a temperatura dos debates sobre o acolhimento de um grande número de imigrantes e refugiados. O caso ganha amplitude conforme mais e mais denúncias são registradas pela polícia, o que já implica a participação de “mais de mil pessoas” que agrediram ou protegeram os agressores, segundo declarou à imprensa o ministro da Justiça alemão, Heiko Maas. “Trata-se de uma nova forma de crime organizado. Será preciso refletir sobre isso, pensar em meios para enfrentá-lo”, afirmou.

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Segundo a polícia, os criminosos se uniram em grandes grupos nas proximidades da principal estação de trem de Colônia, misturando-se a outros grupos de foliões e atacando vários deles. O chefe da polícia de Colônia, Wolfgang Albers, disse que ninguém foi preso. “Nós não temos nenhum suspeito atualmente. Tudo que sabemos é que tinham entre 18 e 35 anos de idade e são oriundos de países árabes ou africanos”. Até esta terça-feira de manhã a polícia registrou 90 denúncias de assédio sexual, roubos e pelo menos uma de estupro – e seguia aguardando novas denúncias. “Parto do princípio de que mais denúncias serão feitas”, declarou Albers.

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“A gente estava indo embora quando um grupo de cerca de vinte homens estrangeiros nos abordou”, disse uma das vítima à rede de televisão N-TV. “Eles começaram a nos agredir, tocando nossa virilha, o decote (do vestido) e por baixo do casaco”, contou, dizendo também que o grupo “só atacava mulheres” e mencionou também roubos. Cerca de 300 pessoas se reuniram nesta terça de maneira simbólica em frente à catedral da cidade para pedir mais respeito às mulheres.

Líderes políticos, incluindo a chanceler, Angela Merkel, condenaram os ataques, embora tenham alertado contra conclusões precipitadas sobre os autores. A chanceler conversou por telefone com a prefeita de Colônia, Henriette Reker, e manifestou “sua indignação diante destes atos de violência insuportáveis e agressões sexuais”. “Não temos qualquer indício que demonstre que se trata de refugiados alojados em Colônia” ou arredores, comunicou Reker. A aparência dos agressores “não deve levar a uma suspeita geral sobre os refugiados que, independentemente de sua origem, venham buscar refúgio em nosso país”, disse o ministro do Interior, Thomas de Maizière.

Mas para alguns alemães que já estavam inquietos com a chegada de um milhão de imigrantes em busca de asilo, os ataques parecem confirmar seus receios. “É esta a ‘Alemanha colorida e cosmopolita’ que Merkel queria?”, indagou Frauke Petry, líder do partido nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão), que pede limites mais estreitos ao número de asilos concedidos no país. “É inaceitável que mulheres sejam assediadas e assaltadas por jovens migrantes nas ruas e praças públicas das cidades alemãs à noite”, disse Andreas Scheuer, secretário-geral da União Social Cristã.

(Com Estadão Conteúdo e AFP)

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