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Acordo nuclear com Irã entra na fase “agora ou nunca”

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que as negociações estão mais perto do que nunca de um acordo, mas mesmo assim ainda correm risco de fracassar

Por Da Redação 6 jul 2015, 07h58

Todas as metáforas usadas até então para explicar o lento avanço da negociação nuclear entre o Irã e o Grupo 5+1 (Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, França, Rússia, mais a Alemanha) se transformaram nesta segunda-feira em uma única e clara mensagem: é agora ou nunca. As declarações mais firmes nesse sentido foram dadas pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que lidera a comunidade internacional no diálogo com a República Islâmica. “Serão tomadas decisões difíceis nos próximos dias, e se forem tomadas rapidamente, ainda poderíamos ter um acordo esta semana. Mas se não, não o teremos”, alertou Kerry.

A advertência foi feita a um dia da data limite de 7 de julho, entre os vazamentos à imprensa e as mensagens do Irã sobre a necessidade das grandes potências fazerem concessões, sobretudo no que se refere à suspensão imediata das sanções ao país. Kerry revelou que as negociações estão em um ponto decisivo: mais perto do que nunca de um acordo, mas mesmo assim ainda correm risco de se transformar em um grande fracasso. “Ainda não chegamos aonde temos de estar em alguns dos temas mais difíceis”, resumiu o secretário de Estado, acrescentando que deseja um pacto, mas não a qualquer preço. Após 20 meses de negociação, duas prorrogações, inumeráveis cúpulas e reuniões, o processo parece ter chegado à reta final rumo à meta de assegurar que o Irã não possa fabricar armas atômicas, mas sim tenha autorização para desenvolver um programa nuclear com fins civis.

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Nesta segunda, se reunirão em Viena os ministros das Relações Exteriores de todos os países que participam do processo. “Durante os próximos dias estaremos aqui para comprovar se podemos fechar um acordo. Vejo a vontade política. A questão é se essa vontade política será transferida a decisões políticas. Será duro e difícil. O trabalho técnico foi feito. Agora é o momento para os ministros se sentarem e verem se isso tudo pode virar um acordo”, indicou a chefe da diplomacia da União Europeia e que coordena o Grupo 5+1, Federica Mogherini.

Empecilhos – Essas decisões políticas se referem, principalmente, a dois assuntos. Um deles é sobre como devem ser os controles que o programa atômico iraniano será submetido. Até agora, o Irã se mostrou resistente, por questões de segurança nacional, a conceder acesso às bases militares nas quais se suspeita ter havido experimentos relacionados com armas nucleares. E também não quer que os inspetores internacionais entrevistem os cientistas nucleares do país.

Porém, nos últimos dias, houve sinais positivos. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), afirmou que, se o Irã colaborar, poderia concluir antes do fim do ano se o programa nuclear do país tem ou não fins militares. Estabelecer uma data para esse relatório pode significar que o Irã flexibilizou suas posições quanto aos controles que está disposto a aceitar. O outro ponto de discórdia envolve as sanções. A República Islâmica quer que elas sejam suspensas assim que houver um acordo. Já o Grupo 5+1 prefere que elas sejam suavizadas conforme Teerã cumpra com o estipulado pelo pacto. Ontem, fontes diplomáticas ocidentais revelaram que tinham chegado a um princípio de consenso para criar um mecanismo que permitisse suspender as sanções e voltar a aplicá-las caso fosse detectado um descumprimento por parte do Irã.

(Da redação)

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